Transform!

7 04 2010

Começou a exibição no Japão da série Transformers Animated, aquela  americana que já passou aqui. Lá, o tema de abertura é do JAM. Música e letra do  Kageyama. Olha a capinha do CD ai ao lado. A música ficou bem bacana, bem…  JAM! Eu gravei as minhas partes aqui em São Paulo, como faço quase sempre.  Toda a vez que faço isso fico impressionado em ver como a  tecnologia facilita as  coisas. Parece que o Japão fica aqui na esquina. Coisa de louco.

É isso ai. o CD novo chega esse mês nas praças nipônicas. Enquanto isso,  terminei de fechar uma revista para as lojas do Fabrizio Giannone (vida de  jornalista…) e estou trabalhando numas ideias para o disco original do JAM, que sai em junho. Esse vai ser foda!

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Cover Corner – Ima Kimi no Ai to Boku no Yuki De

4 03 2010

Arrumei uma brecha hoje, no meio do fechamento das duas revistas, pra gravar rapidinho esse cover de uma baladinha totalmente lado B que eu adoro. Ela é tema de encerramento do filme do Ultraman Tiga & Ultraman Dyna, antigão… Quem canta a original é o Kageyama e o Tatsuya Maeda. Espero que gostem!





O caos planejado

24 02 2010

Galera, tô sem tempo! É uma droga, mas é verdade. Esse mês – ainda mais com o Carnaval no meio da história – todos os prazos estouraram. Preciso terminar duas revistas ao mesmo tempo para o começo de março e nenhuma delas está nem na metade. Portanto, estou numa temporada de trabalho frenético, até o dia 20 do mês que vem , pelo menos. (só abro exceção terças de madrugada, pra ver Lost!).

Well… Tenho umas news pra contar, mas vou esperar um pouco ainda. Amanhã quem sabe?

Até lá, publico aqui um texto que fiz sobre a vida do Woody Allen para a revista SAX. Não tem nada a ver com anime songs, nem Japão, mas gostaria que dessem umas gotas de sua atenção para esse cara – hoje um senhor franzino de 7o e poucos anos. Eis o porquê: Woody é um dos grandes pensadores da nossa época. Gênio fodástico. Enxerga as coisas de um jeito muito particular: pessimista que só, ateu e cheio de esquemas para driblar a falta de sentido do mundo. Suas comédias e dramas sempre tratam desses assuntos, de um jeito ou de outro. A maioria é sensacional.

Portanto, até eu aparecer com umas news legais do JAM, mais um cover e alguns papos furados, leiam e, quem sabe, virem fã do Woody assim como eu. Pessoas como ele fazem a nossa vida mais divertida.

Tá, chega de pagação de pau. Eis o texto:

————–

O que o Woody Allen tem na cabeça?

Ele é o “maior gênio da comédia”, apesar de detestar o título. Continua produzindo muito e periga vir fazer um filme no Brasil em 2011. Neste especial, SAX conta como a visão de mundo de Woody Allen pautou sua acidentada trajetória, que daria um filme. Talvez não de sua autoria.

Por Ricardo Cruz
 

Boris Yellnikoff, personagem de Larry David, está lavando as mãos.

“Parabéns pra você, nessa data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida. Parabéns pra você, nessa data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida”.

Melodie, interpretada por Evan Rachel Wood, chega e pergunta:

“É o seu aniversário?”

“Você não sabia que é preciso cantar duas vezes “Parabéns a você” para eliminar todos os germes?”

E ai de quem falar que isso é superstição. “É ciência! A ciência mostra que para você se livrar de todos os germes precisa lavar as mãos por um tempo que equivale ao de cantar “Parabéns pra você” duas vezes”, disse Woody Allen em entrevista sobre seu novo filme, Whatever Works (algo como Seja lá o que Funcionar), que estreia atrasadíssimo no Brasil em novembro com o título pateta de Tudo Pode Dar Certo <<NOTA: foi adiado de novo. Agora, só lá pro meio desse ano. Palhaçada! Sugestão? Baixem.>>.

Essa talvez seja a melhor cena do filme, o quadragésimo da carreira de Woody. Mas nem tudo é festa: a crítica detestou Whatever Works e sua bilheteria foi pífia. Pudera: quando uma greve de atores ameaçou estourar nos EUA ano passado, Woody se viu obrigado a adiantar a produção do filme em três meses, coisa que normalmente nunca faz. Sem nenhum roteiro novo, lhe restou cavucar suas gavetas em busca de algum rascunho. Em meio à papelada ele encontrou um texto que escrevera originalmente nos anos 70 para o comediante Zero Mostel – para o azar geral, Mostel morreu subitamente e o projeto terminou na geladeira.

Ano passado Woody estava entusiasmado por ter conseguido um financiamento para filmar em Nova York – algo que havia se tornado bastante raro nos últimos tempos . Seria o seu retorno à cidade que tanto ama depois de cinco anos. Sem tempo a perder, ele desempoeirou a história, trouxe o contexto para os dias de hoje e chamou Larry David, co-criador do seriado Seinfield, para viver o neurótico (novidade!) e pessimista Boris Yellnikoff, físico aposentado com um casamento fracassado e uma tentativa de suicídio nas costas. “A atuação do Larry é um samba de uma nota só”, resumiu a jornalista e colunista da SAX Lúcia Guimarães, que assistiu à premiére do filme ainda no primeiro semestre, em Nova York.

Mas quem disse que Woody liga para crítica? Aliás, ele não liga para nada. Faz o que tem vontade e diz que se envolver com um projeto por ano é apenas uma tática para se manter interessado em algo regularmente e não enlouquecer com a falta de sentido do mundo. Quando termina um filme, ele passa imediatamente para o seguinte e perde todo o interesse pelo anterior. “Jamais revejo um filme meu”, sempre diz.

Hiperbólico ou não, sua biografia demonstra o tom blasé de seu discurso. Quando foi acusado de pedofilia no início dos anos 90, Woody não só saiu ileso da principal acusação como se casou com aquela que provocou o bafão todo, Soon-Yi, 37 anos mais nova do que ele. Hoje, os dois têm filhos e vivem muito bem, obrigado. Se sua filosofia pessimista e pragmática fosse uma farsa, talvez ele não tivesse passado por tudo isso com o corpo tão fechado como fez.

Hoje Woody Allen está mais ativo do que nunca. Quer dizer, metódico como é, está exatamente tão ativo quanto antes, mantendo o ritmo quase religioso de um filme por ano. Se lhe faltam incentivos financeiros para trabalhar em Nova York, as portas estão cada vez mais abertas para ele na Europa. “Filmo em qualquer cidade onde encontrar financiamento”, alardeou certa vez. Foi escutado: no momento, está terminando de editar um novo filme em Londres e ano que vem começa a gravar outro em Paris. Já está quase tudo acertado também, veja só, para que ele venha contar uma de suas histórias aqui no Brasil em 2011.

“Rejeição em excesso dá câncer!”

Em 44 anos de trabalho duro, Woody Allen é o diretor que mais produziu longa-metragens na história do cinema. De 1982, quando lançou Sonhos Eróticos de Uma Noite de Verão, até hoje, fez pelo menos um filme por ano. Todos escritos e dirigidos por ele. Muitos com Woody também no elenco. Até o momento, são quarenta produções, das quais pelo menos dez são clássicos do cinema.

Mas apesar do currículo enorme, seus filmes nunca foram arrasa-quarteirões. Pelo contrário, a maior parte deu prejuízo ou empatou. Whatever Works, tomando o mais recente de exemplo, é um deles: teve um desempenho medíocre. Só alguns poucos foram realmente bem, como Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (título brasileiro detestável para Annie Hall. Com ele, Woody ganhou dois dos três Oscars que receberia até hoje: Melhor Filme e Roteiro Original), Manhattan, Hannah e Suas Irmãs (recebeu seu terceiro Oscar, de Roteiro Original), Ponto Final – seu melhor filme segundo o próprio – e o recente Vicky Cristina Barcelona (a maior bilheteria do diretor no Brasil).

No entanto, exceto nos primeiros anos de carreira, quando um Woody cheio de confiança fazia questão de acompanhar todas as críticas sobre si pelo puro prazer de desprezá-las, ele não se importa com o que pensam a seu respeito ou a respeito de sua obra. Nem para o público ele dá bola. Ateu convicto e crente de que a sorte é um elemento-chave na vida (ele fala disso em Ponto Final e Crimes e Pecados, quando, graças à sorte, os respectivos assassinos terminam não sendo pegos), Woody não vê muitos méritos em sua trajetória. Foi uma combinação de sorte, engano e supervalorização – a declaração é dele.

Falsa modéstia? Pode ser. Mas uma passeada por sua carreira ajuda a confirmar essa filosofia.

Desde cedo foi garoto-prodígio. Seus pais, um casal judeu pobre, o batizaram Allan Konigsberg. Allan viraria Woody Allen aos 16 anos, quando passou a faturar 40 dólares por semana escrevendo piadas e tiradas cômicas para um agente que as distribuía a seus clientes – humoristas de cabaré e TV. Entrou em duas faculdades, mas, sem nenhum interesse pela vida acadêmica, acabou expulso das duas.

A carreira como comediante cresceu e, aos 19, Woody já ganhava 1500 dólares por semana como redator do programa de variedades de Sid Caesar (por onde também passaram Mel Brooks, Carl Reiner e especialmente Danny Simon, de quem Woody declarou ter aprendido quase tudo). Seu próximo passo foi fazer shows de comédia stand-up. Em cima do palco transformou suas maiores fraquezas – nervosismo, neurose, descrença, etc – em matéria-prima para fazer os outros darem risada. Foi lá que ele começou a disparar suas piadas inteligentes estilo Bob Hope mescladas à dramaticidade estilizada de um cômico tratando assuntos sérios e profundos. Foi descoberto por um produtor e contratado para escrever e interpretar o filme O Que é Que Há, Gatinha? (1965), que se tornou a comédia mais assistida da época.

Woody jamais abriu mão de sempre dar a última palavra num trabalho seu (quem o bancava já estava careca de saber disso e topava a condição). Sua fidelidade absoluta às próprias ideias pode, como já foi, ser interpretada como rebeldia mas, nós sabemos, Woody gostar de fazer o que quer e como quer. Só assim é divertido para ele. Só assim acalma o seu nervosismo perante o “gigantesco nada” para onde, na sua cabeça, a humanidade caminha lentamente. Mas é realmente uma façanha alguém conseguir colocar na praça 40 filmes, a maioria feita em Nova York, e conquistar o tamanho de seu prestígio sem precisar prestar contas à Hollywood.

Só que alguém tem que pagar a conta. Logo no início da década de 70 Woody se ligou à United Artists, produtora fundada no começo do século por gente do calibre de Charles Chaplin com o objetivo de desafiar o poderio dos grandes estúdios. Arthur Krim, seu admirador e então presidente da empresa, bancava sem reclamar tudo o que ele quisesse fazer. Segundo histórias de corredores, a parceria funcionava assim: Woody se contentava só (só?) com um milhão de dólares no bolso por ano em troca de carta branca para tocar suas ideias sem que lhe torrassem a paciência.

Se Arthur obteu algum lucro com a produção de Woody, este certamente se dissolveu em rombos grotescos abertos por fracassos retumbantes, como Interiores, Memórias, A Outra, Setembro… Dramas em que ele brinca com a sua paixão pelo cinema C.D.F. sueco, especialmente o de Ingmar Bergman. Não foi apenas uma vez que Woody Allen foi chamado de “Bergman americano” – a definição foi inaugurada nas críticas de Vincent Canby para o New York Times. Mais tarde, Woody apontou Vincent como “um dos responsáveis por sua vida profissional”.

A confortável parceria com a United, que foi sucedida pela Orion Pictures, durou de Annie Hall (1971) até Crimes e Pecados (1989). Terminou quando Arthur Krim perdeu a empresa e morreu, em 1994. A essa altura Woody estava fora de forma: desolado, mais filosófico do que cômico e agora sem dinheiro. A boa vontade de seus admiradores parecia ter terminado. Em parte por culpa do triste escândalo sexual em que ele se envolveu no verão de 1992 com Mia Farrow e Soon-Yi (veja mais adiante).

Mas eis que um milionário chamado Jacqui Safra, então namorado de uma antiga amiga de Woody, Jean Doumanian, se torna seu novo mecenas. Para tanto, cria a produtora Sweetland Films que financiou, no total, oito películas do diretor. A primeira delas, Tiros na Broadway, trouxe sucesso para um Woody afastado já há oito anos do topo das bilheterias. O filme lhe rendeu inclusive uma indicação ao Oscar de Melhor Diretor, que ele não levou.

A receita azedou em 2001. Woody foi à justiça reclamando ter recebido menos dinheiro do que deveria por suas produções, incluindo Tiros na Broadway. O casal, no entanto, alegou exatamente o oposto: eram eles quem tinham de receber uma quantia de Woody. O fuzuê chegou aos tribunais de Manhattan e atingiu seu clímax quando Woody leu perante eles e o júri uma carta em que dizia querer continuar amigo de Jean apesar de estar exigindo dela uma indenização milionária. “No tribunal de dia, amigos à noite. O que deu em você? A gente falou desse exato roteiro tantas vezes!”, falava um trecho. A contenda terminou num acordo entre as partes, mas a longa amizade não resistiu.

Woody novamente ficava sem financiamento fixo. Mas nesse ponto todos já sabiam – e seus produtores de longa data Charles H. Joffe e Jack Rollings gostavam sempre de reafirmar – que trabalhar com Woody pode não garantir retorno financeiro, mas dá notoriedade. Isso bastava para mover gente endinheirada e disposta o suficiente para manter sua câmera gravando o que ele bem entendesse.

“As mulheres são o único vislumbre do paraíso que teremos na Terra”
Woody Allen não é exatamente o que se convém chamar de exemplo de beleza. E daí? Como é ele quem manda, não perdeu a chance de tirar o máximo de casquinhas possíveis de grandes beldades. Sua segunda esposa foi Louise Lasser, que aparece lá nos anos 70 em Um Assaltante Bem Trapalhão e Bananas (ironicamente, ela rejeita Woody numa cena). Se disse fisgado pelo bom humor de Diane Keaton durante a mesma década. Tiveram um caso, chegaram até a morar juntos, mas o romance durou menos do que as pessoas acharam. Em Annie Hall já estavam separados. Isso não impediu, claro, que Keaton fosse sua musa por muitos filmes seguidos.

Mia Farrow foi eleita a sua segunda grande musa. Há quem diga que foi o amor de sua vida. Os dois nunca casaram e nem chegaram a morar juntos, mas passaram doze anos juntos e Farrow participou de treze filmes do cineasta. No entanto, a história de amor terminou quando, em 92, ela encontrou no apartamento de Woody fotos de sua filha adotiva, a coreana Soon-Yi então com 18 anos, nua. Farrow engoliu seco no início e continuou com Woody. Mas ela ameaçou contar o que sabia quando percebeu que ele estava dando atenção demais a Dylan, sua filha caçula. Orientado por seu advogado, Woody foi à justiça antes pedindo a custódia de Dylan e Satchel, filho legítimo dos dois. Ele alegou que a atriz não tinha qualificações para ser mãe. A história rolou, expôs a intimidade de Woody e esgotou ambas as partes. O veredito: ele foi inocentado da acusação de ter abusado de Dylan, mas perdeu outros processos movidos por Farrow e acabou tendo que se afastar dela, de Satchel e de todo o resto da família. Sobrou Soon-Yi, com quem se casou e teve outros filhos. Woody expressou sua reação ao imbróglio no hilário, porém forte, Desconstruindo Harry, de 1997 (e inédito em DVD no Brasil).

Bem-casado, Woody sossegou o facho na vida real, mas continuou pinçando belas atrizes para interpretarem seus diálogos. Deu uns amassos em Mira Sorvino, a prostituda estúpida de A Poderosa Afrodite – ela ganhou um Oscar por este papel – , deixou uns roxos em Charlize Theron em O Escorpião de Jade… Até que a idade tirou a credibilidade de sua virilidade, fazendo de Woody, na frente das câmeras, mais um conselheiro sábio (ou louco, depende do ponto de vista) do que um amante em potencial.

Depois de velho, ele ainda encontrou uma nova musa: Scarlett Johansson. E foi na sorte: Woody tinha escalado Kate Winslet para o papel de Nola Rice, a protagonista que acaba morta no ótimo suspense Ponto Final, de 2005. Mas, durante a pré-produção, a atriz britânica desistiu do projeto alegando ter participado de muitos filmes sem parar e, por causa disso, estar se sentindo um tanto negligente com seus filhos. Woody ficou ressabiado de chamar Scarlett no início porque ela só tinha 19 anos na época e não era exatamente o perfil daquilo que ele escrevera no roteiro. Mas, sem tempo, ele arriscou e não só gostou do resultado como ficou fascinado pela loira de lábios carnudos e curvas generosas. Scoop – O Grande Furo e Vicky Cristina Barcelona também foram estrelados pela nova musa.

Ponto Final deu uma nova guinada na carreira de Woody Allen, que estava perdendo público nos EUA mas continuava requisitadíssimo na Europa. Quando conseguiu levantar dinheiro em Londres, adaptou um antigo rascunho em que brincava com a ideia de, nas palavras dele, “alguém que mata uma pessoa e depois mata o vizinho dela só para despistar a polícia”. O filme foi muito bem. Recuperou o dinheiro investido e a moral de Woody, que estava em cheque perante a indústria. Scoop, que veio na sequência, não é lá grande coisa mas uma marola que sobrara do enorme oba-oba em torno de Ponto Final foi suficiente para levar gente aos cinemas – o que não aconteceu tanto com seu filme seguinte, o terceiro em Londres, O Sonho de Cassandra.

Da Inglaterra Woody voou para Barcelona quando a cidade e o governo catalão lhe ofereceram dois milhões de Euros para filmar na cidade e mostrar pelo menos um ponto turístico. Acabaram escolhendo a simpática cidadezinha de Oviedo, onde Penélope Cruz, Javier Bardem e Scarlett Johansson protagonizaram um triângulo amoroso à la nouvelle vague bonito de se ver em Vicky Cristina Barcelona.

“Só filmo em Nova York porque sou preguiçoso”
Mesmo sendo um trabalho menor de Woody, Whatever Works marca o seu retorno a Nova York. Retorno não muito celebrado, é verdade. Muito por culpa da pressa com que o roteiro precisou ser preparado. Há quem diga que a sua fórmula tradicional, que estruturou seus melhores filmes dos anos 70, envelheceu: protagonista nova-iorquino típico, cheio de neuroses, que está na lama e encontra conforto numa paixão inusitada. Será que Woody perdeu a mão? Duvido muito. Ele sempre repetiu que funciona em seu próprio tempo. Quem sabe, desta vez, sendo tão pressionado por conta do prazo curto, tenha deixado de funcionar? Acontece.

Pois bem: a Europa está na dele. O futuro é promissor para a carreira de Woody Allen. Ele assinou contrato com a produtora espanhola Mediapro, que topou financiar seus três próximos filmes (a empresa co-produziu em 2006, com Brasil e Chile, o filme Proibido Proibir, com Caio Blat). O primeiro deles ainda não tem título divulgado, mas já está em pós-produção. Traz Antonio Banderas, Anthony Hopkins e Josh Brolin no elenco, e foi rodado em Londres.

No ano que vem ele aponta suas lentes para Paris. Lá, está de olho numa nova musa. Talvez a que possua as nuances mais apropriadas ao conjunto de sua obra: Carla Bruni. A vontade de escrever para ela surgiu numa visita que Woody fez a Sarkozy. Em junho, ele declarou publicamente que adoraria trabalhar com Bruni. “Tenho certeza de que ela seria maravilhosa”, falou a uma rádio francesa, “há diversas maneiras nas quais eu poderia usá-la, apesar de eu ainda não ter uma história para ela no momento”. Mais tarde, fez um convite formal à primeira dama. O jornal espanhol El Mundo disse que a cantora e ex-modelo italiana adorou a ideia e já está dentro, outras fontes afirmam que nada está confirmado.

Seja qual for o desenrolar do caso, em 2011 o cineasta pode vir ao Brasil lisonjear o Rio de Janeiro ou São Paulo (ou as duas cidades) com uma nova história. Por enquanto, não há nenhuma confirmação; nem de um possível título, nem de se o elenco será nacional ou estrangeiro. A informação mais fresca até o momento é que dois produtores de sua equipe desembarcam aqui no início de outubro para avaliar as condições de se trabalhar no Brasil. Eles ficam dois dias em São Paulo e cinco no Rio. Se não gostarem do que virem, Woody continua em seu apartamento na Quinta Avenida ou se manda para a Europa de vez. Mas não sejamos pessimistas: gente do meio de campo das negociações garantem que ele está entusiasmado em vir para cá. Correndo em paralelo, a produtora RioFilme estuda como financiar a película e já inclui o projeto em sua lista de produções até 2012.

“Em vez e viver nos corações e mentes das pessoas, prefiro viver no meu apartamento”
Woody não acredita em legado. Para ele a morte é o fim da linha e não faz a menor diferença se, depois disso, o seu nome batize uma rua, um teatro ou se futuras gerações sigam o seu trabalho. Ele vai muito além: fala que não se importaria que, depois que morresse, pegassem todos os seus filmes e negativos e os jogassem no lixo. “Em vez e viver nos corações e mentes das pessoas, prefiro viver no meu apartamento”, é uma uma de suas frases famosas que resume bem o pensamento.

“A essa altura, quem gosta do meu trabalho vai, assiste e passa por cima das minhas falhas. Quem não gosta só vê onde eu erro, porque sempre erro um pouco em tudo”, disse numa das entrevistas para Eric Lax que foram compiladas no ótimo livro Conversas com Woody Allen (editora Cosac Naify). Errando ou acertando, Woody está longe de cair na vala comum onde Hollywood tem desabado. Pode escorregar de vez em quando tentando, por exemplo, convencer a todos que é um dos melhores cineastas suecos nascidos nos EUA. Mas esse lado também compõe sua genialidade e sensibilidade em provocar sensações a respeito da vida ordinária semelhantes à de se admirar um quadro em tons pastéis com, quem sabe, Billie Holiday cantando “Easy to Love” de fundo.

Mas não o chame de gênio ou coisa parecida. Woody dá uma explicação mais suculenta e definitiva sobre como enxerga sua trajetória numa conversa que está no mesmo livro de Eric Lax. Tem a ver com mágica, tema que sempre adorou:

“Quando era criança, adorava mágica. Poderia ter sido mágico se não tivesse tomado um desvio. E, assim, usando toda a minha habilidade manual, dissimulação, meus sutis subterfúgios e talento cômico – isto é´, tudo o que aprendi debruçado nos meus livros de mágica quando era menino – , consegui produzir uma brilhante ilusão que já dura cinquenta anos e compreende uma porção de filmes”.





Cover Corner – Senshi Yo Tachiagare!

2 02 2010

Conhecem essa música? É tema do anime Psybuster, uma das primeiras músicas de anime que o Masaaki Endoh gravou. Bem, a que gravei aqui é uma versão lenta desse tema que o Endoh gravou pro disco Akogi na Futaritabi Daze!, lançado no começo da década no Japão. Gosto o suficiente dessa balada pra dizer que ela foi uma das músicas que me fizeram ter vontade de começar a cantar. Registro a minha homenagem nesse cover! Ah, claro: quem está tocando o violão é o parceiro de jornada Carlos Tsukada, da banda Wasabi. Acho que faz uns bons 3 ou 4 anos que ele gravou isso. Achei a faixa perdida aqui esses dias e tive a ideia de gravar pro blog. Valeu, brother!

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.





Fábrica de sonhos

28 01 2010

Escrevi esse texto em 2008 para uma revista que não chegou a ser publicada. Nele, conto como foi a minha visita aos estúdios de Oizumi da Toei Company em 2007, onde há décadas são rodadas as cenas em estúdio de todos os tokusatsu dessa empresa. O Hiroshi Watari, que batia cartão lá todos os dias na época em que estrelou Sharivan e Spielvan, e o Renato Siqueira, as fotos são dele, me acompanharam nessa viagem. Fomos num dia aleatório, sem saber direito o que estaria acontecendo. Como era janeiro, topamos com a gravação de Gekiranger. Bom, o resto você lê no texto, aqui:

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A Toei Company é o maior estúdio de animação e seriados de super-heróis do Japão. Estivemos lá acompanhando um dia das filmagens de Gekiranger, do tradicional gênero dos super sentai, para entender melhor como funciona essa mítica fábrica de sonhos.

“Oizumi desu! Oizumi desu!”. A voz inconfundível da senhora (ou senhorita) que anuncia as estações de trem e metrô no Japão informava que acabávamos de chegar ao nosso destino. As oito da manhã, em pleno inverno japonês, chegar até Oizumi, saindo de Shibuya, parecia uma jornada interminável. Foram duas ou três trocas de linha, se não me engano, num percurso que levou uma sonolenta hora e meia. Pudera, só num lugar afastado da capital Tóquio, com menos prédios e mais espaço livre, é que poderiam estar as enormes instalações da Toei Company, a maior produtora de desenhos animados e seriados do Japão.

Lá, ficam os estúdios da Toei Filmes e da Toei Animation, dois braços de uma mesma e gigantesca empresa, que nasceu em 1953 e, ao longo dos anos, se firmou como uma das mais possantes máquinas de entretenimento do Japão. Em seu catálogo de produções animadas, constam alguns dos maiores êxitos da área, como Dragon Ball, Cavaleiros do Zodíaco, Sailor Moon, One Piece, Slum Dunk… Só para citar títulos que estouraram também no ocidente. Sua divisão internacional distribui uma quantidade ímpar de animes pelo mundo todo e, antes em parceria com a Saban Entertainment e agora com a Disney, toca há mais de uma década e meia a franquia dos Power Ranger. 

Em se tratando de super heróis, a produtora não perde pra ninguém: mantém no ar a família dos Kamen Riders há mais de quinze anos (entre muitos vai e vem) e há trinta e três a dos Super Sentai (os esquadrões coloridos). Produziu o Jaspion, a trilogia dos Policiais do Espaço e muitos, muitos outros justiceiros de todas as cores e tipos. Durante os anos de 1970, auge dos tokusatsu, a Toei chegou a produzir mais de dez séries por ano. Não é à toa que, dentro deste gênero, ela definiu tendências, inovou, acertou, errou e vem tocando até hoje um filão que já faz parte da cultura popular de praticamente todo o planeta (afinal, quem não sabe o que é Power Rangers? A idéia original é japonesa e foi a Toei que lançou o formato em 1975, com o Esquadrão Secreto Goranger).

Rumo ao QG dos monstro de borracha


 

Andamos uns dez minutos pela pacata região de Oizumi até nos depararmos com as duas grandes construções que abrigam a divisão de animação e live-action da Toei Company – uma fica de frente para a outra. Além de mim, convidei o amigo de longa data Renato Siqueira e, como guia, tivemos a ilustre ajuda de Hiroshi Watari, ator hoje quarentão que viveu muitos dos heróis que vi na minha infãncia. Ele foi o Boomerman no Jaspion, que, apesar de ser o seu personagem mais lembrado no Brasil, não é o principal da sua carreira. Antes disso, ele viveu o protagonista de Sharivan, o segundo Policial do Espaço (passou aqui na Record no começo dos anos 90) e de Spielvan, rebatizado no Brasil de Jaspion 2. Como dublê, Watari está na ativa desde o começo dos anos 80, quando veio com a cara e a coragem do estado de Niigata tentar a vida em Tóquio e realizar o seu sonho de trabalhar com ação. Ele é “o cara” dos tokusatsu.

“Nossa, faz pelo menos dez anos que não venho aqui”, lembrava ainda dentro de um dos trens que estavam nos levando até Oizumi. Pergunto se ele ainda lembra o caminho. “Mas é claro! Vim aqui rigorosamente todos os dias durante anos”. Watari entrou para o cast da Toei por ser dublê do JAC, o Japan Action Club, grupo responsável por coordenar e executar as cenas de ação desses programas desde o final dos anos 70. No começo e meio da década de 80, a produtora mudou o estilo de suas séries infantis, escalando dublês como protagonistas de alguns programas ao invés de atores/ modelos, que não sabiam lutar. “Antes, para ser um herói era só ter um rosto ajeitado e saber dar uns pulos aqui e uns chutes alí”, lembra. “Quando eu entrei para o JAC, em 81, a coisa estava mudando. Os protagonistas das séries passaram a ter que saber lutar também. O Jaspion, que faz tanto sucesso no Brasil, foi interpretado pelo Seiki Kurosaki, que originalmente também era dublê”. 

O nosso guia estava no lugar certo, na hora certa. Levou seu primeiro papel principal, em Sharivan, com apenas 19 anos e engatou vários outros trabalhos na sequência. “Era uma época muito divertida. Pena que hoje a coisa tenha voltado ao formato antigo de escolher atores através de agências de modelos e audições para rostos bonitinhos…”, reclama.

 

Chegamos. Na porta, uma pausa para tirar fotos e registrar o momento histórico de pisar no lugar onde tudo o que acompanhei quando moleque foi feito. “Isso aqui não muda…”, exclamava Watari enquanto entrávamos no complexo que abriga vários estúdios de gravação, um ao lado do outro, como se fosse uma mini cidade. Nosso objetivo ali era acompanhar um dia das filmagens de Gekiranger, o seriado da linha “super esquadrões coloridos” que ficou no ar até o começo deste ano. As filmagens começariam depois do almoço. Estávamos um pouco atrasados.

A idéia original era assistir uma gravação do núcleo dos heróis, mas naquele dia só estavam acontecendo as filmagens dentro da base inimiga, com os malvados da história. Entramos numas das casas, onde o set ainda estava sendo montado. Os vilões de Gekiranger são baseados em clãs imperiais chineses antigos. O cenário conta com uma escada que dá para uma parte elevada com um mesanino onde ficam dois monstros enormes –  os guarda-costas do líder do clã. Ao redor, diversos pilares vermelhos decorados com dragões sustentam o teto de um suposto palácio tradicional montado pela cenografia. Pelos cantos, dublês vestidos de soldados rasos se aquecem, pois logo mais eles atuarão numa cena em que o líder do bando, Rio, conversa com sua serva, Melle – uma ninfeta vestida numa fantasia que lembra um camaleão.


 

Enquanto um batalhão de staffs prepara o cenário, Watari nos leva para conhecer o diretor de câmera do seriado, Masao Inokuma. Figura lendária dos tokusatsu da Toei, ele faz esse tipo de programa desde 1972, quando rodou a série Ciborgue Kikaider. O próprio Watari foi dirigido por ele em todos os programas em que atuou. O clima é de amizade e reencontro. O intérprete de Boomerman foi logo avisando: “o sr. Inokuma foi a pessoa que deu vida a quase todas as produções que vocês gostam e que fizeram sucesso no Brasil. Ele é muito ocupado. Saibam que é bastante raro poder conversar assim, cara a cara, com ele”. Inokuma, modesto, rebate: “que bobagem, raro mesmo é encontrar brasileiros assistindo as filmagens de um programa infantil japonês!” – genial.

As origens


 

O embrião do que viria a se tornar a Toei Company nasceu em 1949 com o nome de Distribuidora de Filmes Tokyo. Em 1951, essa empresa se fundiu às produtoras Oizumi Filmes e Toyoko Filmes, dando origem a Toei Company. Nessa fase, a Toei contou com investimentos pesados principalmente da equipe vinda da Toyoko Filmes, cujo objetivo original era o desenvolvimento da região por onde passava a linha expressa de trem Toyoko (que liga TÓquio a YOKOhama). Para isso, eles administravam alguns cinemas nas regiões de Tóquio, Yokohama e Shibuya. Com o fim da Segunda Guerra, a Toyoko, que já possuía um estúdio próprio, arrendou um segundo de uma das grandes companhias cinematográficas da época, a Daiei, e passou, além de exibir, também a produzir filmes. 

Com a junção, em 51, os antigos membros da Toyoko Filmes queriam criar, através da recém-nascida Toei, o que eles chamaram na época de a “quarta linhagem”. Ou seja, a quarta grande potência do cinema japonês que, apesar de ter chegado relativamente tarde, poderia brigar de igual para igual com os três estúdios onipotentes da época: Toho, Daiei e Shochiku.

Na segunda metade dos anos 60, com a queda de popularidade do cinema e a ascenção da televisão, a Toei tentou ganhar público apostando em filmes erótico-grotescos (os ero-guro), que jamais poderiam ser mostrados na nova mídia. Dramas de época com bastante ação e samurais também eram a especialidade do estúdio, ao lado dos filmes de sobre a Yakuza, a máfia japonesa. No entanto, não teve jeito: a televisão enfraqueceu mesmo a frequência às salas e não dava mais para depender só delas. Assim, eles começaram a investir e produzir bastante para a TV Educativa Japonesa, mais tarde rebatizada de TV Asashi, com a qual já possuíam uma parceria desde 1959. Hoje, a Toei Company é a segunda maior acionista da TV Asahi, que é uma das maiores emissoras privadas do Japão. Essa parceria sempre garantiu ao estúdio terreno fértil para escoar suas produções na tela pequena.


 

Correndo por fora, a divisão de animação Toei Animation crescia bastante desde a sua fundação, em 1956, quando a Toei comprou o tradicionalíssimo estúdio de desenhos animados Nichido Eiga. Em 58, produziram o primeiro longa-metragem em animê colorido da história, A Lenda da Serpente Branca. Desde então, a produção nunca parou. De lá, saíram clássicos como Galaxy Express 999, Candy Candy, Mazinger Z e tantos outros. Nomes de respeito, como Hayao Miyazaki (Meu Vizinho Totoro, A Viagem de Chihiro) e Go Nagai (Mazinger Z) começaram na Toei Animation. A partir da década de 1970, a Toei Comapany e todas as suas adjacências formavam a maior potência de entretenimento no Japão… e nós estávamos lá agora.

Atenção… Gravando!


 

De volta ao estúdio dos inimigos de Gekiranger, a primeira cena está pronta para ser rodada. É uma sequência em que Melle se transforma em sua versão monstro. Depois de algumas horas esperando, a atriz novata Yuka Hirata, sempre com sua empresária a tira colo, limpando o seu suor e lhe dizendo o que fazer, se prepara para entrar diante da câmera. Yuka tem 25 anos e foi selecionada para ser a vilã da série numa audição em que não conseguiu o papel para ser uma das heroínas – sorte dela: ultimamente os vilões estão fazendo até mais sucesso do que os mocinhos.

Na frente de um fundo azul, que será substituído mais tarde digitalmente por algum cenário através da ténica de cromakey, Melle grava deitada várias cenas curtas, como se posasse para uma foto. Depois, sai de cena e na frente do mesmo fundo entra um dublê com a fantasia do monstro em que seu personagem se transforma nas horas de batalha. Pronto, a transfomação está feita. Mas tudo é muito lento, muito meticuloso e fora de ordem. Filma-se primeiro o que é mais prático. As cenas que ela acabou de gravar entrarão no clipe de abertura da série.


 

O outro vilão, o chefão, é vivido pelo ator Hirofumi Araki, mais um novato que não se encaixou no perfil de nenhum dos heróis na hora da triagem. Durante as filmagens ele parecia entediado. Tinha que esperar a sua vez de entrar em cena e nada ali fluía com rapidez. Me aproximo e pergunto se ele fica nervoso antes de filmar. “Sim, bastante. Eu sou novo na área, não tenho a prática dos veteranos. Ainda estou aprendendo muita coisa e não quero empacar as filmagens”, confessa. 


 

Hirofumi vive o personagem Rio (o erre aqui tem o mesmo som que na palavra “piRIquito”). Aproveito e lanço: “você sabia que Rio é o nome de uma famosa cidade brasileira?”. Ele: “sim, claro! É a cidade do samba, do carnaval, não é?”, responde curioso. Digo que sim e explico que os super sentai fizeram muito sucesso no Brasil até o meio dos anos 90, mas, infelizmente, hoje tudo chega na versão Power Rangers. “Sério? Já ouvi dizer que nos EUA eles alteram a versão original dos programas, mas não sabia que era essa a versão que vocês têm acesso”. Pois é, Rio… “É uma pena, seria bom se todos assistissem na íntegra o trabalho que estamos fazendo aqui”. Só pra constar: Gekiranger chegará ao Brasil como Power Rangers Jungle Fury, que estreou este ano nos EUA.

Bom, chega de papo. Está na hora dele atuar. Hirofumi fará uma cena com Yuka. Pelo que entendi, ele fala que vai acabar com os heróis e a garota o elogia com alguma frase piegas – básico. Tudo pronto. Texto decorado. Ensaio feito. Rodando! Um, dois, três, quatro takes. Cada um captado de uma maneira diferente. Num deles, a câmera desliza pela grua ao redor dos personagens. Pela lentidão com que a coisa é feita, é difícil imaginar como a produtora consiga entregar um capítulo inteiro todas as semanas. E nos anos 70, então, quando mais de uma dezena de seriados eram gravados sem parar? É, não estou mesmo acostumado.

De repente, Watari quebra a minha concentração avisando: “olha quem está aqui, a Magi Pink!”. Olhando para trás dou de cara com a atriz Ayumi Beppu, que em 2005 foi a integrante rosa do esquadrão Magiranger (base de Power Rangers Força Mística). Ela é lindíssima. Diferente de muitos novos atores que participam de programas infantis, Ayumi vem conseguindo seguir carreira na TV e no cinema depois que a série terminou. Ela estava na Toei fazendo uma audição para o filme Kamen Rider The Next. Não conseguiu passar. Semana que vem ela fará outra, para outra produção. “Ah que saudades de vocês!!”, gritava o tempo todo para a equipe e para os dublês, com quem desenvolveu uma amizade durante o ano em que foi a Magi Pink.


 

Ayumi é pequena, delicada, não parece ser capaz de fazer mal nem a uma mosca. Como ela conseguiu fazer as cenas de ação? Não resisto e pergunto. “Era bem puxado! Eu ficava exausta… Tinha algumas cenas que eu até pedia para passarem para outra pessoa fazer”, revela. “Se bem que, tendo essa equipe de ação maravilhosa nos dando suporte, tudo ficava mais fácil”, dando uma puxada de saco básica nos integrantes do JAC. 

Enquanto o papo rolava, as filmagens avançavam. Agora, é a vez dos soldados rasos do império se apresentarem. Todos, uns oito deles, terão que fazer uma coreografia de kung-fu. Em seguida, um deles se transformará no monstro do episódio. Quando a câmera começa a gravar, você entende porque o JAC é até hoje a equipe que cuida das sequências de ação dos live-actions da Toei. Eles são fantásticos e versáteis. Alguns ali fazem isso há décadas, desde a época que Watari salvava a Terra. “Se eu tentar fazer isso hoje, acho que quebro no meio”, brinca o ator assitindo ao ensaio dos ex-colegas. Realmente, os golpes e pulos em estilo chinês feitos ali não deixam nada a dever aquelas acrobacias mirabolantes dos filmes de Hong Kong. 

Gravando! Mais uma vez! Outra. Mais outra… Pronto. Agora é a vez de Rio mostrar um amuleto para câmera, em close. Toda a estrutura precisa ser mudada para isso. Yuka já está sentada no chão, parece exausta. E ainda a programação do dia está só na metade. 

Watari: como todo o filme e série, isso aqui é um quebra- cabeças que só será montado na hora da edição. 

Eu: verdade.

Watari: na época do Sharivan e do Spielvan, chegávamos as seis da manhã e geralmente só terminávamos de madrugada. Todos os dias. Pra piorar, nessa época eu dormia num alojamento terrível. Tinha só um futon no chão e nem trancar a porta eu conseguia! Acordava quebrado… 

Eu: caramba!

Watari: mas era divertido. Muito divertido. Foi a melhor época da minha vida. 

Corta!

Depois de mais de quatro horas ali observando tudo, resolvemos dar uma volta pelos outros estúdios. “Aqui do lado fica o cockpit do robô-gigante dos Gekiranger”, indicou alguém que fumava por ali. Demos uma olhada e, realmente, estavam lá as três estruturas gigantes em forma de caninos que identificam o local místico em que os heróis ficam para controlar seu robozão.

“Acho que as séries de hoje em dia perderam muito o charme”, comenta Watari, fã de histórias mais sérias e de efeitos especiais feitos a moda antiga. “Tudo hoje é resolvido com CG. Um pulo, um raio, uma transformação… Antigamente, fazíamos tudo ‘na raça’. Se era pra pular do penhasco, íamos lá e pulávamos, se era pra fugir de uma explosão, fugíamos. Eu sou dublê, né! Gosto de fazer essas coisas. Sinto que hoje a coisa está pasteurizada demais. Isso tira o charme das produções, faz parecer só mais uma entre um monte”.

Atualmente, a Toei Company produz duas séries principais todos os anos: os Super Sentai e os Kamen Riders. Os Riders são bem mais sérios que os esquadrões. Apesar do visual colorido, das armas e acessórios prontos para virarem brinquedos, o roteiro é focado em mistérios e temperado por drama e aventura. Há quem diga que os Riders de hoje são uma mistura de Arquivo X com Power Ragers. Talvez seja por aí mesmo. No entanto, na opinião de Watari, exibir as oito da manhã dos domingos uma série mais pesada como a dos Riders, que apela ao público infantil pelo visual e não pela história, não é uma boa jogada.  

“Hoje as séries dependem muito do merchandising. Já são criadas pra vender brinquedos. Ouvi dizer que os últimos Riders não vêm alcançando vendas tão boas, isso pode ser perigoso para a manutenção do gênero no ar”, especula. E, puxando a sardinha para o seu lado, lança: “eles bem que poderiam voltar com os Policiais do Espaço…”.

Já era noite e resolvemos ir para casa. As gravações continuavam, sem hora para terminar. “Obrigado por tudo, desculpe o incômodo”, Watari cumpre a etiqueta japonesa à risca e em troca, recebe um sorriso de um dos dublês vestido de monstro e um “apareça mais!”, de Inokuma. De lá, seguimos para a estação de trem. Deu preguiça de encarar de novo a longa jornada até Shibuya e decidimos comer um lámen por ali mesmo. “Eu pago”, se adiantou o nosso herói.

Depois de um dia inteiro acompanhando as gravações de uma série que faz parte de um gênero que eu particularmente gosto tanto, fiquei com uma sensação estranha. Olhar de perto a confecção daquilo que você cresceu assistindo e usando para escapulir da realidade, seja fingindo ser um monstro do espaço ou um guerreiro metálico, quebra um pouco a magia. Uma magia que ainda permanecia intacta em algum lugar.

“Eu acredito que antigamente as crianças sonhavam melhor com esses seriados”, comenta Watari, de boca cheia, outra vez defendendo a sua geração. Mas é verdade. Não sei se é porque eu fiz parte dessa geração e tendo a defendê-la – assim como o meu pai diz que no tempo dele as coisas eram melhores… De qualquer maneira, estando na Toei, você sente um pouco a responsabilidade dos profissionais encarregados em manter a máquina girando. De fazer com que a tradição continue se renovando a cada ano. E eles sabem melhor do que ninguém como fazer isso. Watari não nega: “a Toei tem um papel importante em relação as crianças japonesas. Ela lhes dá material para sonharem. Nós acabamos de sair de uma fábrica de sonhos!”, e completa, virando para o garçom, “a conta, por favor”.





Cover Corner – Portal

22 01 2010

Lembra do primeiro e único podcast que eu fiz aqui? Então, infelizmente não fiz mais e muita gente me cobrou (e me cobra até hoje!) para eu continuar pelo menos com a parte de músicas cover, em que canto os meus anime songs preferidos. Resolvi fazer isso. Um ano e tanto depois! heheheVou tentar postar uma música nova toda a semana, salvo imprevistos (devem acontecer…). Pra começar escolhi talvez a minha balada favorita do JAM, Portal – encerramento da edição do jogo Super Robot Wars que tem Rocks como abertura.A gravação foi feita aqui em casa mesmo, no estudiozinho caseiro que só uso para gravar demos… Portanto, não espere aquela qualidade sonora foda do CD. O espírito é a brincadeira. Espero que gostem, semana que vem tem mais (farei de tudo!).

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Já está na praça!

13 01 2010

Finalmente! O disco novo, de inéditas, do Koji Wada está a venda na Amazon. Basta ter um cartão internacional de crédito para comprar. Bem mais prático do que na época em que se precisava recorrer a lojas na Liberdade para conseguir material do Japão. Cansei de pedir coisas na Haikai e pagar o triplo do valor. Aquela gente metia a faca, mas eram outros tempo. Eles eram a única via. Agora não. Então, aproveitem. Esse disco vem com a faixa que gravei junto com o Wada, a Sem Barreiras, metade em português, metade em japonês. Ficou curiosa.

A página do CD na Amazon é essa aqui.