O caos planejado

24 02 2010

Galera, tô sem tempo! É uma droga, mas é verdade. Esse mês – ainda mais com o Carnaval no meio da história – todos os prazos estouraram. Preciso terminar duas revistas ao mesmo tempo para o começo de março e nenhuma delas está nem na metade. Portanto, estou numa temporada de trabalho frenético, até o dia 20 do mês que vem , pelo menos. (só abro exceção terças de madrugada, pra ver Lost!).

Well… Tenho umas news pra contar, mas vou esperar um pouco ainda. Amanhã quem sabe?

Até lá, publico aqui um texto que fiz sobre a vida do Woody Allen para a revista SAX. Não tem nada a ver com anime songs, nem Japão, mas gostaria que dessem umas gotas de sua atenção para esse cara – hoje um senhor franzino de 7o e poucos anos. Eis o porquê: Woody é um dos grandes pensadores da nossa época. Gênio fodástico. Enxerga as coisas de um jeito muito particular: pessimista que só, ateu e cheio de esquemas para driblar a falta de sentido do mundo. Suas comédias e dramas sempre tratam desses assuntos, de um jeito ou de outro. A maioria é sensacional.

Portanto, até eu aparecer com umas news legais do JAM, mais um cover e alguns papos furados, leiam e, quem sabe, virem fã do Woody assim como eu. Pessoas como ele fazem a nossa vida mais divertida.

Tá, chega de pagação de pau. Eis o texto:

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O que o Woody Allen tem na cabeça?

Ele é o “maior gênio da comédia”, apesar de detestar o título. Continua produzindo muito e periga vir fazer um filme no Brasil em 2011. Neste especial, SAX conta como a visão de mundo de Woody Allen pautou sua acidentada trajetória, que daria um filme. Talvez não de sua autoria.

Por Ricardo Cruz
 

Boris Yellnikoff, personagem de Larry David, está lavando as mãos.

“Parabéns pra você, nessa data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida. Parabéns pra você, nessa data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida”.

Melodie, interpretada por Evan Rachel Wood, chega e pergunta:

“É o seu aniversário?”

“Você não sabia que é preciso cantar duas vezes “Parabéns a você” para eliminar todos os germes?”

E ai de quem falar que isso é superstição. “É ciência! A ciência mostra que para você se livrar de todos os germes precisa lavar as mãos por um tempo que equivale ao de cantar “Parabéns pra você” duas vezes”, disse Woody Allen em entrevista sobre seu novo filme, Whatever Works (algo como Seja lá o que Funcionar), que estreia atrasadíssimo no Brasil em novembro com o título pateta de Tudo Pode Dar Certo <<NOTA: foi adiado de novo. Agora, só lá pro meio desse ano. Palhaçada! Sugestão? Baixem.>>.

Essa talvez seja a melhor cena do filme, o quadragésimo da carreira de Woody. Mas nem tudo é festa: a crítica detestou Whatever Works e sua bilheteria foi pífia. Pudera: quando uma greve de atores ameaçou estourar nos EUA ano passado, Woody se viu obrigado a adiantar a produção do filme em três meses, coisa que normalmente nunca faz. Sem nenhum roteiro novo, lhe restou cavucar suas gavetas em busca de algum rascunho. Em meio à papelada ele encontrou um texto que escrevera originalmente nos anos 70 para o comediante Zero Mostel – para o azar geral, Mostel morreu subitamente e o projeto terminou na geladeira.

Ano passado Woody estava entusiasmado por ter conseguido um financiamento para filmar em Nova York – algo que havia se tornado bastante raro nos últimos tempos . Seria o seu retorno à cidade que tanto ama depois de cinco anos. Sem tempo a perder, ele desempoeirou a história, trouxe o contexto para os dias de hoje e chamou Larry David, co-criador do seriado Seinfield, para viver o neurótico (novidade!) e pessimista Boris Yellnikoff, físico aposentado com um casamento fracassado e uma tentativa de suicídio nas costas. “A atuação do Larry é um samba de uma nota só”, resumiu a jornalista e colunista da SAX Lúcia Guimarães, que assistiu à premiére do filme ainda no primeiro semestre, em Nova York.

Mas quem disse que Woody liga para crítica? Aliás, ele não liga para nada. Faz o que tem vontade e diz que se envolver com um projeto por ano é apenas uma tática para se manter interessado em algo regularmente e não enlouquecer com a falta de sentido do mundo. Quando termina um filme, ele passa imediatamente para o seguinte e perde todo o interesse pelo anterior. “Jamais revejo um filme meu”, sempre diz.

Hiperbólico ou não, sua biografia demonstra o tom blasé de seu discurso. Quando foi acusado de pedofilia no início dos anos 90, Woody não só saiu ileso da principal acusação como se casou com aquela que provocou o bafão todo, Soon-Yi, 37 anos mais nova do que ele. Hoje, os dois têm filhos e vivem muito bem, obrigado. Se sua filosofia pessimista e pragmática fosse uma farsa, talvez ele não tivesse passado por tudo isso com o corpo tão fechado como fez.

Hoje Woody Allen está mais ativo do que nunca. Quer dizer, metódico como é, está exatamente tão ativo quanto antes, mantendo o ritmo quase religioso de um filme por ano. Se lhe faltam incentivos financeiros para trabalhar em Nova York, as portas estão cada vez mais abertas para ele na Europa. “Filmo em qualquer cidade onde encontrar financiamento”, alardeou certa vez. Foi escutado: no momento, está terminando de editar um novo filme em Londres e ano que vem começa a gravar outro em Paris. Já está quase tudo acertado também, veja só, para que ele venha contar uma de suas histórias aqui no Brasil em 2011.

“Rejeição em excesso dá câncer!”

Em 44 anos de trabalho duro, Woody Allen é o diretor que mais produziu longa-metragens na história do cinema. De 1982, quando lançou Sonhos Eróticos de Uma Noite de Verão, até hoje, fez pelo menos um filme por ano. Todos escritos e dirigidos por ele. Muitos com Woody também no elenco. Até o momento, são quarenta produções, das quais pelo menos dez são clássicos do cinema.

Mas apesar do currículo enorme, seus filmes nunca foram arrasa-quarteirões. Pelo contrário, a maior parte deu prejuízo ou empatou. Whatever Works, tomando o mais recente de exemplo, é um deles: teve um desempenho medíocre. Só alguns poucos foram realmente bem, como Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (título brasileiro detestável para Annie Hall. Com ele, Woody ganhou dois dos três Oscars que receberia até hoje: Melhor Filme e Roteiro Original), Manhattan, Hannah e Suas Irmãs (recebeu seu terceiro Oscar, de Roteiro Original), Ponto Final – seu melhor filme segundo o próprio – e o recente Vicky Cristina Barcelona (a maior bilheteria do diretor no Brasil).

No entanto, exceto nos primeiros anos de carreira, quando um Woody cheio de confiança fazia questão de acompanhar todas as críticas sobre si pelo puro prazer de desprezá-las, ele não se importa com o que pensam a seu respeito ou a respeito de sua obra. Nem para o público ele dá bola. Ateu convicto e crente de que a sorte é um elemento-chave na vida (ele fala disso em Ponto Final e Crimes e Pecados, quando, graças à sorte, os respectivos assassinos terminam não sendo pegos), Woody não vê muitos méritos em sua trajetória. Foi uma combinação de sorte, engano e supervalorização – a declaração é dele.

Falsa modéstia? Pode ser. Mas uma passeada por sua carreira ajuda a confirmar essa filosofia.

Desde cedo foi garoto-prodígio. Seus pais, um casal judeu pobre, o batizaram Allan Konigsberg. Allan viraria Woody Allen aos 16 anos, quando passou a faturar 40 dólares por semana escrevendo piadas e tiradas cômicas para um agente que as distribuía a seus clientes – humoristas de cabaré e TV. Entrou em duas faculdades, mas, sem nenhum interesse pela vida acadêmica, acabou expulso das duas.

A carreira como comediante cresceu e, aos 19, Woody já ganhava 1500 dólares por semana como redator do programa de variedades de Sid Caesar (por onde também passaram Mel Brooks, Carl Reiner e especialmente Danny Simon, de quem Woody declarou ter aprendido quase tudo). Seu próximo passo foi fazer shows de comédia stand-up. Em cima do palco transformou suas maiores fraquezas – nervosismo, neurose, descrença, etc – em matéria-prima para fazer os outros darem risada. Foi lá que ele começou a disparar suas piadas inteligentes estilo Bob Hope mescladas à dramaticidade estilizada de um cômico tratando assuntos sérios e profundos. Foi descoberto por um produtor e contratado para escrever e interpretar o filme O Que é Que Há, Gatinha? (1965), que se tornou a comédia mais assistida da época.

Woody jamais abriu mão de sempre dar a última palavra num trabalho seu (quem o bancava já estava careca de saber disso e topava a condição). Sua fidelidade absoluta às próprias ideias pode, como já foi, ser interpretada como rebeldia mas, nós sabemos, Woody gostar de fazer o que quer e como quer. Só assim é divertido para ele. Só assim acalma o seu nervosismo perante o “gigantesco nada” para onde, na sua cabeça, a humanidade caminha lentamente. Mas é realmente uma façanha alguém conseguir colocar na praça 40 filmes, a maioria feita em Nova York, e conquistar o tamanho de seu prestígio sem precisar prestar contas à Hollywood.

Só que alguém tem que pagar a conta. Logo no início da década de 70 Woody se ligou à United Artists, produtora fundada no começo do século por gente do calibre de Charles Chaplin com o objetivo de desafiar o poderio dos grandes estúdios. Arthur Krim, seu admirador e então presidente da empresa, bancava sem reclamar tudo o que ele quisesse fazer. Segundo histórias de corredores, a parceria funcionava assim: Woody se contentava só (só?) com um milhão de dólares no bolso por ano em troca de carta branca para tocar suas ideias sem que lhe torrassem a paciência.

Se Arthur obteu algum lucro com a produção de Woody, este certamente se dissolveu em rombos grotescos abertos por fracassos retumbantes, como Interiores, Memórias, A Outra, Setembro… Dramas em que ele brinca com a sua paixão pelo cinema C.D.F. sueco, especialmente o de Ingmar Bergman. Não foi apenas uma vez que Woody Allen foi chamado de “Bergman americano” – a definição foi inaugurada nas críticas de Vincent Canby para o New York Times. Mais tarde, Woody apontou Vincent como “um dos responsáveis por sua vida profissional”.

A confortável parceria com a United, que foi sucedida pela Orion Pictures, durou de Annie Hall (1971) até Crimes e Pecados (1989). Terminou quando Arthur Krim perdeu a empresa e morreu, em 1994. A essa altura Woody estava fora de forma: desolado, mais filosófico do que cômico e agora sem dinheiro. A boa vontade de seus admiradores parecia ter terminado. Em parte por culpa do triste escândalo sexual em que ele se envolveu no verão de 1992 com Mia Farrow e Soon-Yi (veja mais adiante).

Mas eis que um milionário chamado Jacqui Safra, então namorado de uma antiga amiga de Woody, Jean Doumanian, se torna seu novo mecenas. Para tanto, cria a produtora Sweetland Films que financiou, no total, oito películas do diretor. A primeira delas, Tiros na Broadway, trouxe sucesso para um Woody afastado já há oito anos do topo das bilheterias. O filme lhe rendeu inclusive uma indicação ao Oscar de Melhor Diretor, que ele não levou.

A receita azedou em 2001. Woody foi à justiça reclamando ter recebido menos dinheiro do que deveria por suas produções, incluindo Tiros na Broadway. O casal, no entanto, alegou exatamente o oposto: eram eles quem tinham de receber uma quantia de Woody. O fuzuê chegou aos tribunais de Manhattan e atingiu seu clímax quando Woody leu perante eles e o júri uma carta em que dizia querer continuar amigo de Jean apesar de estar exigindo dela uma indenização milionária. “No tribunal de dia, amigos à noite. O que deu em você? A gente falou desse exato roteiro tantas vezes!”, falava um trecho. A contenda terminou num acordo entre as partes, mas a longa amizade não resistiu.

Woody novamente ficava sem financiamento fixo. Mas nesse ponto todos já sabiam – e seus produtores de longa data Charles H. Joffe e Jack Rollings gostavam sempre de reafirmar – que trabalhar com Woody pode não garantir retorno financeiro, mas dá notoriedade. Isso bastava para mover gente endinheirada e disposta o suficiente para manter sua câmera gravando o que ele bem entendesse.

“As mulheres são o único vislumbre do paraíso que teremos na Terra”
Woody Allen não é exatamente o que se convém chamar de exemplo de beleza. E daí? Como é ele quem manda, não perdeu a chance de tirar o máximo de casquinhas possíveis de grandes beldades. Sua segunda esposa foi Louise Lasser, que aparece lá nos anos 70 em Um Assaltante Bem Trapalhão e Bananas (ironicamente, ela rejeita Woody numa cena). Se disse fisgado pelo bom humor de Diane Keaton durante a mesma década. Tiveram um caso, chegaram até a morar juntos, mas o romance durou menos do que as pessoas acharam. Em Annie Hall já estavam separados. Isso não impediu, claro, que Keaton fosse sua musa por muitos filmes seguidos.

Mia Farrow foi eleita a sua segunda grande musa. Há quem diga que foi o amor de sua vida. Os dois nunca casaram e nem chegaram a morar juntos, mas passaram doze anos juntos e Farrow participou de treze filmes do cineasta. No entanto, a história de amor terminou quando, em 92, ela encontrou no apartamento de Woody fotos de sua filha adotiva, a coreana Soon-Yi então com 18 anos, nua. Farrow engoliu seco no início e continuou com Woody. Mas ela ameaçou contar o que sabia quando percebeu que ele estava dando atenção demais a Dylan, sua filha caçula. Orientado por seu advogado, Woody foi à justiça antes pedindo a custódia de Dylan e Satchel, filho legítimo dos dois. Ele alegou que a atriz não tinha qualificações para ser mãe. A história rolou, expôs a intimidade de Woody e esgotou ambas as partes. O veredito: ele foi inocentado da acusação de ter abusado de Dylan, mas perdeu outros processos movidos por Farrow e acabou tendo que se afastar dela, de Satchel e de todo o resto da família. Sobrou Soon-Yi, com quem se casou e teve outros filhos. Woody expressou sua reação ao imbróglio no hilário, porém forte, Desconstruindo Harry, de 1997 (e inédito em DVD no Brasil).

Bem-casado, Woody sossegou o facho na vida real, mas continuou pinçando belas atrizes para interpretarem seus diálogos. Deu uns amassos em Mira Sorvino, a prostituda estúpida de A Poderosa Afrodite – ela ganhou um Oscar por este papel – , deixou uns roxos em Charlize Theron em O Escorpião de Jade… Até que a idade tirou a credibilidade de sua virilidade, fazendo de Woody, na frente das câmeras, mais um conselheiro sábio (ou louco, depende do ponto de vista) do que um amante em potencial.

Depois de velho, ele ainda encontrou uma nova musa: Scarlett Johansson. E foi na sorte: Woody tinha escalado Kate Winslet para o papel de Nola Rice, a protagonista que acaba morta no ótimo suspense Ponto Final, de 2005. Mas, durante a pré-produção, a atriz britânica desistiu do projeto alegando ter participado de muitos filmes sem parar e, por causa disso, estar se sentindo um tanto negligente com seus filhos. Woody ficou ressabiado de chamar Scarlett no início porque ela só tinha 19 anos na época e não era exatamente o perfil daquilo que ele escrevera no roteiro. Mas, sem tempo, ele arriscou e não só gostou do resultado como ficou fascinado pela loira de lábios carnudos e curvas generosas. Scoop – O Grande Furo e Vicky Cristina Barcelona também foram estrelados pela nova musa.

Ponto Final deu uma nova guinada na carreira de Woody Allen, que estava perdendo público nos EUA mas continuava requisitadíssimo na Europa. Quando conseguiu levantar dinheiro em Londres, adaptou um antigo rascunho em que brincava com a ideia de, nas palavras dele, “alguém que mata uma pessoa e depois mata o vizinho dela só para despistar a polícia”. O filme foi muito bem. Recuperou o dinheiro investido e a moral de Woody, que estava em cheque perante a indústria. Scoop, que veio na sequência, não é lá grande coisa mas uma marola que sobrara do enorme oba-oba em torno de Ponto Final foi suficiente para levar gente aos cinemas – o que não aconteceu tanto com seu filme seguinte, o terceiro em Londres, O Sonho de Cassandra.

Da Inglaterra Woody voou para Barcelona quando a cidade e o governo catalão lhe ofereceram dois milhões de Euros para filmar na cidade e mostrar pelo menos um ponto turístico. Acabaram escolhendo a simpática cidadezinha de Oviedo, onde Penélope Cruz, Javier Bardem e Scarlett Johansson protagonizaram um triângulo amoroso à la nouvelle vague bonito de se ver em Vicky Cristina Barcelona.

“Só filmo em Nova York porque sou preguiçoso”
Mesmo sendo um trabalho menor de Woody, Whatever Works marca o seu retorno a Nova York. Retorno não muito celebrado, é verdade. Muito por culpa da pressa com que o roteiro precisou ser preparado. Há quem diga que a sua fórmula tradicional, que estruturou seus melhores filmes dos anos 70, envelheceu: protagonista nova-iorquino típico, cheio de neuroses, que está na lama e encontra conforto numa paixão inusitada. Será que Woody perdeu a mão? Duvido muito. Ele sempre repetiu que funciona em seu próprio tempo. Quem sabe, desta vez, sendo tão pressionado por conta do prazo curto, tenha deixado de funcionar? Acontece.

Pois bem: a Europa está na dele. O futuro é promissor para a carreira de Woody Allen. Ele assinou contrato com a produtora espanhola Mediapro, que topou financiar seus três próximos filmes (a empresa co-produziu em 2006, com Brasil e Chile, o filme Proibido Proibir, com Caio Blat). O primeiro deles ainda não tem título divulgado, mas já está em pós-produção. Traz Antonio Banderas, Anthony Hopkins e Josh Brolin no elenco, e foi rodado em Londres.

No ano que vem ele aponta suas lentes para Paris. Lá, está de olho numa nova musa. Talvez a que possua as nuances mais apropriadas ao conjunto de sua obra: Carla Bruni. A vontade de escrever para ela surgiu numa visita que Woody fez a Sarkozy. Em junho, ele declarou publicamente que adoraria trabalhar com Bruni. “Tenho certeza de que ela seria maravilhosa”, falou a uma rádio francesa, “há diversas maneiras nas quais eu poderia usá-la, apesar de eu ainda não ter uma história para ela no momento”. Mais tarde, fez um convite formal à primeira dama. O jornal espanhol El Mundo disse que a cantora e ex-modelo italiana adorou a ideia e já está dentro, outras fontes afirmam que nada está confirmado.

Seja qual for o desenrolar do caso, em 2011 o cineasta pode vir ao Brasil lisonjear o Rio de Janeiro ou São Paulo (ou as duas cidades) com uma nova história. Por enquanto, não há nenhuma confirmação; nem de um possível título, nem de se o elenco será nacional ou estrangeiro. A informação mais fresca até o momento é que dois produtores de sua equipe desembarcam aqui no início de outubro para avaliar as condições de se trabalhar no Brasil. Eles ficam dois dias em São Paulo e cinco no Rio. Se não gostarem do que virem, Woody continua em seu apartamento na Quinta Avenida ou se manda para a Europa de vez. Mas não sejamos pessimistas: gente do meio de campo das negociações garantem que ele está entusiasmado em vir para cá. Correndo em paralelo, a produtora RioFilme estuda como financiar a película e já inclui o projeto em sua lista de produções até 2012.

“Em vez e viver nos corações e mentes das pessoas, prefiro viver no meu apartamento”
Woody não acredita em legado. Para ele a morte é o fim da linha e não faz a menor diferença se, depois disso, o seu nome batize uma rua, um teatro ou se futuras gerações sigam o seu trabalho. Ele vai muito além: fala que não se importaria que, depois que morresse, pegassem todos os seus filmes e negativos e os jogassem no lixo. “Em vez e viver nos corações e mentes das pessoas, prefiro viver no meu apartamento”, é uma uma de suas frases famosas que resume bem o pensamento.

“A essa altura, quem gosta do meu trabalho vai, assiste e passa por cima das minhas falhas. Quem não gosta só vê onde eu erro, porque sempre erro um pouco em tudo”, disse numa das entrevistas para Eric Lax que foram compiladas no ótimo livro Conversas com Woody Allen (editora Cosac Naify). Errando ou acertando, Woody está longe de cair na vala comum onde Hollywood tem desabado. Pode escorregar de vez em quando tentando, por exemplo, convencer a todos que é um dos melhores cineastas suecos nascidos nos EUA. Mas esse lado também compõe sua genialidade e sensibilidade em provocar sensações a respeito da vida ordinária semelhantes à de se admirar um quadro em tons pastéis com, quem sabe, Billie Holiday cantando “Easy to Love” de fundo.

Mas não o chame de gênio ou coisa parecida. Woody dá uma explicação mais suculenta e definitiva sobre como enxerga sua trajetória numa conversa que está no mesmo livro de Eric Lax. Tem a ver com mágica, tema que sempre adorou:

“Quando era criança, adorava mágica. Poderia ter sido mágico se não tivesse tomado um desvio. E, assim, usando toda a minha habilidade manual, dissimulação, meus sutis subterfúgios e talento cômico – isto é´, tudo o que aprendi debruçado nos meus livros de mágica quando era menino – , consegui produzir uma brilhante ilusão que já dura cinquenta anos e compreende uma porção de filmes”.

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Cover Corner – Senshi Yo Tachiagare!

2 02 2010

Conhecem essa música? É tema do anime Psybuster, uma das primeiras músicas de anime que o Masaaki Endoh gravou. Bem, a que gravei aqui é uma versão lenta desse tema que o Endoh gravou pro disco Akogi na Futaritabi Daze!, lançado no começo da década no Japão. Gosto o suficiente dessa balada pra dizer que ela foi uma das músicas que me fizeram ter vontade de começar a cantar. Registro a minha homenagem nesse cover! Ah, claro: quem está tocando o violão é o parceiro de jornada Carlos Tsukada, da banda Wasabi. Acho que faz uns bons 3 ou 4 anos que ele gravou isso. Achei a faixa perdida aqui esses dias e tive a ideia de gravar pro blog. Valeu, brother!

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