Fábrica de sonhos

28 01 2010

Escrevi esse texto em 2008 para uma revista que não chegou a ser publicada. Nele, conto como foi a minha visita aos estúdios de Oizumi da Toei Company em 2007, onde há décadas são rodadas as cenas em estúdio de todos os tokusatsu dessa empresa. O Hiroshi Watari, que batia cartão lá todos os dias na época em que estrelou Sharivan e Spielvan, e o Renato Siqueira, as fotos são dele, me acompanharam nessa viagem. Fomos num dia aleatório, sem saber direito o que estaria acontecendo. Como era janeiro, topamos com a gravação de Gekiranger. Bom, o resto você lê no texto, aqui:

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A Toei Company é o maior estúdio de animação e seriados de super-heróis do Japão. Estivemos lá acompanhando um dia das filmagens de Gekiranger, do tradicional gênero dos super sentai, para entender melhor como funciona essa mítica fábrica de sonhos.

“Oizumi desu! Oizumi desu!”. A voz inconfundível da senhora (ou senhorita) que anuncia as estações de trem e metrô no Japão informava que acabávamos de chegar ao nosso destino. As oito da manhã, em pleno inverno japonês, chegar até Oizumi, saindo de Shibuya, parecia uma jornada interminável. Foram duas ou três trocas de linha, se não me engano, num percurso que levou uma sonolenta hora e meia. Pudera, só num lugar afastado da capital Tóquio, com menos prédios e mais espaço livre, é que poderiam estar as enormes instalações da Toei Company, a maior produtora de desenhos animados e seriados do Japão.

Lá, ficam os estúdios da Toei Filmes e da Toei Animation, dois braços de uma mesma e gigantesca empresa, que nasceu em 1953 e, ao longo dos anos, se firmou como uma das mais possantes máquinas de entretenimento do Japão. Em seu catálogo de produções animadas, constam alguns dos maiores êxitos da área, como Dragon Ball, Cavaleiros do Zodíaco, Sailor Moon, One Piece, Slum Dunk… Só para citar títulos que estouraram também no ocidente. Sua divisão internacional distribui uma quantidade ímpar de animes pelo mundo todo e, antes em parceria com a Saban Entertainment e agora com a Disney, toca há mais de uma década e meia a franquia dos Power Ranger. 

Em se tratando de super heróis, a produtora não perde pra ninguém: mantém no ar a família dos Kamen Riders há mais de quinze anos (entre muitos vai e vem) e há trinta e três a dos Super Sentai (os esquadrões coloridos). Produziu o Jaspion, a trilogia dos Policiais do Espaço e muitos, muitos outros justiceiros de todas as cores e tipos. Durante os anos de 1970, auge dos tokusatsu, a Toei chegou a produzir mais de dez séries por ano. Não é à toa que, dentro deste gênero, ela definiu tendências, inovou, acertou, errou e vem tocando até hoje um filão que já faz parte da cultura popular de praticamente todo o planeta (afinal, quem não sabe o que é Power Rangers? A idéia original é japonesa e foi a Toei que lançou o formato em 1975, com o Esquadrão Secreto Goranger).

Rumo ao QG dos monstro de borracha


 

Andamos uns dez minutos pela pacata região de Oizumi até nos depararmos com as duas grandes construções que abrigam a divisão de animação e live-action da Toei Company – uma fica de frente para a outra. Além de mim, convidei o amigo de longa data Renato Siqueira e, como guia, tivemos a ilustre ajuda de Hiroshi Watari, ator hoje quarentão que viveu muitos dos heróis que vi na minha infãncia. Ele foi o Boomerman no Jaspion, que, apesar de ser o seu personagem mais lembrado no Brasil, não é o principal da sua carreira. Antes disso, ele viveu o protagonista de Sharivan, o segundo Policial do Espaço (passou aqui na Record no começo dos anos 90) e de Spielvan, rebatizado no Brasil de Jaspion 2. Como dublê, Watari está na ativa desde o começo dos anos 80, quando veio com a cara e a coragem do estado de Niigata tentar a vida em Tóquio e realizar o seu sonho de trabalhar com ação. Ele é “o cara” dos tokusatsu.

“Nossa, faz pelo menos dez anos que não venho aqui”, lembrava ainda dentro de um dos trens que estavam nos levando até Oizumi. Pergunto se ele ainda lembra o caminho. “Mas é claro! Vim aqui rigorosamente todos os dias durante anos”. Watari entrou para o cast da Toei por ser dublê do JAC, o Japan Action Club, grupo responsável por coordenar e executar as cenas de ação desses programas desde o final dos anos 70. No começo e meio da década de 80, a produtora mudou o estilo de suas séries infantis, escalando dublês como protagonistas de alguns programas ao invés de atores/ modelos, que não sabiam lutar. “Antes, para ser um herói era só ter um rosto ajeitado e saber dar uns pulos aqui e uns chutes alí”, lembra. “Quando eu entrei para o JAC, em 81, a coisa estava mudando. Os protagonistas das séries passaram a ter que saber lutar também. O Jaspion, que faz tanto sucesso no Brasil, foi interpretado pelo Seiki Kurosaki, que originalmente também era dublê”. 

O nosso guia estava no lugar certo, na hora certa. Levou seu primeiro papel principal, em Sharivan, com apenas 19 anos e engatou vários outros trabalhos na sequência. “Era uma época muito divertida. Pena que hoje a coisa tenha voltado ao formato antigo de escolher atores através de agências de modelos e audições para rostos bonitinhos…”, reclama.

 

Chegamos. Na porta, uma pausa para tirar fotos e registrar o momento histórico de pisar no lugar onde tudo o que acompanhei quando moleque foi feito. “Isso aqui não muda…”, exclamava Watari enquanto entrávamos no complexo que abriga vários estúdios de gravação, um ao lado do outro, como se fosse uma mini cidade. Nosso objetivo ali era acompanhar um dia das filmagens de Gekiranger, o seriado da linha “super esquadrões coloridos” que ficou no ar até o começo deste ano. As filmagens começariam depois do almoço. Estávamos um pouco atrasados.

A idéia original era assistir uma gravação do núcleo dos heróis, mas naquele dia só estavam acontecendo as filmagens dentro da base inimiga, com os malvados da história. Entramos numas das casas, onde o set ainda estava sendo montado. Os vilões de Gekiranger são baseados em clãs imperiais chineses antigos. O cenário conta com uma escada que dá para uma parte elevada com um mesanino onde ficam dois monstros enormes –  os guarda-costas do líder do clã. Ao redor, diversos pilares vermelhos decorados com dragões sustentam o teto de um suposto palácio tradicional montado pela cenografia. Pelos cantos, dublês vestidos de soldados rasos se aquecem, pois logo mais eles atuarão numa cena em que o líder do bando, Rio, conversa com sua serva, Melle – uma ninfeta vestida numa fantasia que lembra um camaleão.


 

Enquanto um batalhão de staffs prepara o cenário, Watari nos leva para conhecer o diretor de câmera do seriado, Masao Inokuma. Figura lendária dos tokusatsu da Toei, ele faz esse tipo de programa desde 1972, quando rodou a série Ciborgue Kikaider. O próprio Watari foi dirigido por ele em todos os programas em que atuou. O clima é de amizade e reencontro. O intérprete de Boomerman foi logo avisando: “o sr. Inokuma foi a pessoa que deu vida a quase todas as produções que vocês gostam e que fizeram sucesso no Brasil. Ele é muito ocupado. Saibam que é bastante raro poder conversar assim, cara a cara, com ele”. Inokuma, modesto, rebate: “que bobagem, raro mesmo é encontrar brasileiros assistindo as filmagens de um programa infantil japonês!” – genial.

As origens


 

O embrião do que viria a se tornar a Toei Company nasceu em 1949 com o nome de Distribuidora de Filmes Tokyo. Em 1951, essa empresa se fundiu às produtoras Oizumi Filmes e Toyoko Filmes, dando origem a Toei Company. Nessa fase, a Toei contou com investimentos pesados principalmente da equipe vinda da Toyoko Filmes, cujo objetivo original era o desenvolvimento da região por onde passava a linha expressa de trem Toyoko (que liga TÓquio a YOKOhama). Para isso, eles administravam alguns cinemas nas regiões de Tóquio, Yokohama e Shibuya. Com o fim da Segunda Guerra, a Toyoko, que já possuía um estúdio próprio, arrendou um segundo de uma das grandes companhias cinematográficas da época, a Daiei, e passou, além de exibir, também a produzir filmes. 

Com a junção, em 51, os antigos membros da Toyoko Filmes queriam criar, através da recém-nascida Toei, o que eles chamaram na época de a “quarta linhagem”. Ou seja, a quarta grande potência do cinema japonês que, apesar de ter chegado relativamente tarde, poderia brigar de igual para igual com os três estúdios onipotentes da época: Toho, Daiei e Shochiku.

Na segunda metade dos anos 60, com a queda de popularidade do cinema e a ascenção da televisão, a Toei tentou ganhar público apostando em filmes erótico-grotescos (os ero-guro), que jamais poderiam ser mostrados na nova mídia. Dramas de época com bastante ação e samurais também eram a especialidade do estúdio, ao lado dos filmes de sobre a Yakuza, a máfia japonesa. No entanto, não teve jeito: a televisão enfraqueceu mesmo a frequência às salas e não dava mais para depender só delas. Assim, eles começaram a investir e produzir bastante para a TV Educativa Japonesa, mais tarde rebatizada de TV Asashi, com a qual já possuíam uma parceria desde 1959. Hoje, a Toei Company é a segunda maior acionista da TV Asahi, que é uma das maiores emissoras privadas do Japão. Essa parceria sempre garantiu ao estúdio terreno fértil para escoar suas produções na tela pequena.


 

Correndo por fora, a divisão de animação Toei Animation crescia bastante desde a sua fundação, em 1956, quando a Toei comprou o tradicionalíssimo estúdio de desenhos animados Nichido Eiga. Em 58, produziram o primeiro longa-metragem em animê colorido da história, A Lenda da Serpente Branca. Desde então, a produção nunca parou. De lá, saíram clássicos como Galaxy Express 999, Candy Candy, Mazinger Z e tantos outros. Nomes de respeito, como Hayao Miyazaki (Meu Vizinho Totoro, A Viagem de Chihiro) e Go Nagai (Mazinger Z) começaram na Toei Animation. A partir da década de 1970, a Toei Comapany e todas as suas adjacências formavam a maior potência de entretenimento no Japão… e nós estávamos lá agora.

Atenção… Gravando!


 

De volta ao estúdio dos inimigos de Gekiranger, a primeira cena está pronta para ser rodada. É uma sequência em que Melle se transforma em sua versão monstro. Depois de algumas horas esperando, a atriz novata Yuka Hirata, sempre com sua empresária a tira colo, limpando o seu suor e lhe dizendo o que fazer, se prepara para entrar diante da câmera. Yuka tem 25 anos e foi selecionada para ser a vilã da série numa audição em que não conseguiu o papel para ser uma das heroínas – sorte dela: ultimamente os vilões estão fazendo até mais sucesso do que os mocinhos.

Na frente de um fundo azul, que será substituído mais tarde digitalmente por algum cenário através da ténica de cromakey, Melle grava deitada várias cenas curtas, como se posasse para uma foto. Depois, sai de cena e na frente do mesmo fundo entra um dublê com a fantasia do monstro em que seu personagem se transforma nas horas de batalha. Pronto, a transfomação está feita. Mas tudo é muito lento, muito meticuloso e fora de ordem. Filma-se primeiro o que é mais prático. As cenas que ela acabou de gravar entrarão no clipe de abertura da série.


 

O outro vilão, o chefão, é vivido pelo ator Hirofumi Araki, mais um novato que não se encaixou no perfil de nenhum dos heróis na hora da triagem. Durante as filmagens ele parecia entediado. Tinha que esperar a sua vez de entrar em cena e nada ali fluía com rapidez. Me aproximo e pergunto se ele fica nervoso antes de filmar. “Sim, bastante. Eu sou novo na área, não tenho a prática dos veteranos. Ainda estou aprendendo muita coisa e não quero empacar as filmagens”, confessa. 


 

Hirofumi vive o personagem Rio (o erre aqui tem o mesmo som que na palavra “piRIquito”). Aproveito e lanço: “você sabia que Rio é o nome de uma famosa cidade brasileira?”. Ele: “sim, claro! É a cidade do samba, do carnaval, não é?”, responde curioso. Digo que sim e explico que os super sentai fizeram muito sucesso no Brasil até o meio dos anos 90, mas, infelizmente, hoje tudo chega na versão Power Rangers. “Sério? Já ouvi dizer que nos EUA eles alteram a versão original dos programas, mas não sabia que era essa a versão que vocês têm acesso”. Pois é, Rio… “É uma pena, seria bom se todos assistissem na íntegra o trabalho que estamos fazendo aqui”. Só pra constar: Gekiranger chegará ao Brasil como Power Rangers Jungle Fury, que estreou este ano nos EUA.

Bom, chega de papo. Está na hora dele atuar. Hirofumi fará uma cena com Yuka. Pelo que entendi, ele fala que vai acabar com os heróis e a garota o elogia com alguma frase piegas – básico. Tudo pronto. Texto decorado. Ensaio feito. Rodando! Um, dois, três, quatro takes. Cada um captado de uma maneira diferente. Num deles, a câmera desliza pela grua ao redor dos personagens. Pela lentidão com que a coisa é feita, é difícil imaginar como a produtora consiga entregar um capítulo inteiro todas as semanas. E nos anos 70, então, quando mais de uma dezena de seriados eram gravados sem parar? É, não estou mesmo acostumado.

De repente, Watari quebra a minha concentração avisando: “olha quem está aqui, a Magi Pink!”. Olhando para trás dou de cara com a atriz Ayumi Beppu, que em 2005 foi a integrante rosa do esquadrão Magiranger (base de Power Rangers Força Mística). Ela é lindíssima. Diferente de muitos novos atores que participam de programas infantis, Ayumi vem conseguindo seguir carreira na TV e no cinema depois que a série terminou. Ela estava na Toei fazendo uma audição para o filme Kamen Rider The Next. Não conseguiu passar. Semana que vem ela fará outra, para outra produção. “Ah que saudades de vocês!!”, gritava o tempo todo para a equipe e para os dublês, com quem desenvolveu uma amizade durante o ano em que foi a Magi Pink.


 

Ayumi é pequena, delicada, não parece ser capaz de fazer mal nem a uma mosca. Como ela conseguiu fazer as cenas de ação? Não resisto e pergunto. “Era bem puxado! Eu ficava exausta… Tinha algumas cenas que eu até pedia para passarem para outra pessoa fazer”, revela. “Se bem que, tendo essa equipe de ação maravilhosa nos dando suporte, tudo ficava mais fácil”, dando uma puxada de saco básica nos integrantes do JAC. 

Enquanto o papo rolava, as filmagens avançavam. Agora, é a vez dos soldados rasos do império se apresentarem. Todos, uns oito deles, terão que fazer uma coreografia de kung-fu. Em seguida, um deles se transformará no monstro do episódio. Quando a câmera começa a gravar, você entende porque o JAC é até hoje a equipe que cuida das sequências de ação dos live-actions da Toei. Eles são fantásticos e versáteis. Alguns ali fazem isso há décadas, desde a época que Watari salvava a Terra. “Se eu tentar fazer isso hoje, acho que quebro no meio”, brinca o ator assitindo ao ensaio dos ex-colegas. Realmente, os golpes e pulos em estilo chinês feitos ali não deixam nada a dever aquelas acrobacias mirabolantes dos filmes de Hong Kong. 

Gravando! Mais uma vez! Outra. Mais outra… Pronto. Agora é a vez de Rio mostrar um amuleto para câmera, em close. Toda a estrutura precisa ser mudada para isso. Yuka já está sentada no chão, parece exausta. E ainda a programação do dia está só na metade. 

Watari: como todo o filme e série, isso aqui é um quebra- cabeças que só será montado na hora da edição. 

Eu: verdade.

Watari: na época do Sharivan e do Spielvan, chegávamos as seis da manhã e geralmente só terminávamos de madrugada. Todos os dias. Pra piorar, nessa época eu dormia num alojamento terrível. Tinha só um futon no chão e nem trancar a porta eu conseguia! Acordava quebrado… 

Eu: caramba!

Watari: mas era divertido. Muito divertido. Foi a melhor época da minha vida. 

Corta!

Depois de mais de quatro horas ali observando tudo, resolvemos dar uma volta pelos outros estúdios. “Aqui do lado fica o cockpit do robô-gigante dos Gekiranger”, indicou alguém que fumava por ali. Demos uma olhada e, realmente, estavam lá as três estruturas gigantes em forma de caninos que identificam o local místico em que os heróis ficam para controlar seu robozão.

“Acho que as séries de hoje em dia perderam muito o charme”, comenta Watari, fã de histórias mais sérias e de efeitos especiais feitos a moda antiga. “Tudo hoje é resolvido com CG. Um pulo, um raio, uma transformação… Antigamente, fazíamos tudo ‘na raça’. Se era pra pular do penhasco, íamos lá e pulávamos, se era pra fugir de uma explosão, fugíamos. Eu sou dublê, né! Gosto de fazer essas coisas. Sinto que hoje a coisa está pasteurizada demais. Isso tira o charme das produções, faz parecer só mais uma entre um monte”.

Atualmente, a Toei Company produz duas séries principais todos os anos: os Super Sentai e os Kamen Riders. Os Riders são bem mais sérios que os esquadrões. Apesar do visual colorido, das armas e acessórios prontos para virarem brinquedos, o roteiro é focado em mistérios e temperado por drama e aventura. Há quem diga que os Riders de hoje são uma mistura de Arquivo X com Power Ragers. Talvez seja por aí mesmo. No entanto, na opinião de Watari, exibir as oito da manhã dos domingos uma série mais pesada como a dos Riders, que apela ao público infantil pelo visual e não pela história, não é uma boa jogada.  

“Hoje as séries dependem muito do merchandising. Já são criadas pra vender brinquedos. Ouvi dizer que os últimos Riders não vêm alcançando vendas tão boas, isso pode ser perigoso para a manutenção do gênero no ar”, especula. E, puxando a sardinha para o seu lado, lança: “eles bem que poderiam voltar com os Policiais do Espaço…”.

Já era noite e resolvemos ir para casa. As gravações continuavam, sem hora para terminar. “Obrigado por tudo, desculpe o incômodo”, Watari cumpre a etiqueta japonesa à risca e em troca, recebe um sorriso de um dos dublês vestido de monstro e um “apareça mais!”, de Inokuma. De lá, seguimos para a estação de trem. Deu preguiça de encarar de novo a longa jornada até Shibuya e decidimos comer um lámen por ali mesmo. “Eu pago”, se adiantou o nosso herói.

Depois de um dia inteiro acompanhando as gravações de uma série que faz parte de um gênero que eu particularmente gosto tanto, fiquei com uma sensação estranha. Olhar de perto a confecção daquilo que você cresceu assistindo e usando para escapulir da realidade, seja fingindo ser um monstro do espaço ou um guerreiro metálico, quebra um pouco a magia. Uma magia que ainda permanecia intacta em algum lugar.

“Eu acredito que antigamente as crianças sonhavam melhor com esses seriados”, comenta Watari, de boca cheia, outra vez defendendo a sua geração. Mas é verdade. Não sei se é porque eu fiz parte dessa geração e tendo a defendê-la – assim como o meu pai diz que no tempo dele as coisas eram melhores… De qualquer maneira, estando na Toei, você sente um pouco a responsabilidade dos profissionais encarregados em manter a máquina girando. De fazer com que a tradição continue se renovando a cada ano. E eles sabem melhor do que ninguém como fazer isso. Watari não nega: “a Toei tem um papel importante em relação as crianças japonesas. Ela lhes dá material para sonharem. Nós acabamos de sair de uma fábrica de sonhos!”, e completa, virando para o garçom, “a conta, por favor”.

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Cover Corner – Portal

22 01 2010

Lembra do primeiro e único podcast que eu fiz aqui? Então, infelizmente não fiz mais e muita gente me cobrou (e me cobra até hoje!) para eu continuar pelo menos com a parte de músicas cover, em que canto os meus anime songs preferidos. Resolvi fazer isso. Um ano e tanto depois! heheheVou tentar postar uma música nova toda a semana, salvo imprevistos (devem acontecer…). Pra começar escolhi talvez a minha balada favorita do JAM, Portal – encerramento da edição do jogo Super Robot Wars que tem Rocks como abertura.A gravação foi feita aqui em casa mesmo, no estudiozinho caseiro que só uso para gravar demos… Portanto, não espere aquela qualidade sonora foda do CD. O espírito é a brincadeira. Espero que gostem, semana que vem tem mais (farei de tudo!).

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

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Já está na praça!

13 01 2010

Finalmente! O disco novo, de inéditas, do Koji Wada está a venda na Amazon. Basta ter um cartão internacional de crédito para comprar. Bem mais prático do que na época em que se precisava recorrer a lojas na Liberdade para conseguir material do Japão. Cansei de pedir coisas na Haikai e pagar o triplo do valor. Aquela gente metia a faca, mas eram outros tempo. Eles eram a única via. Agora não. Então, aproveitem. Esse disco vem com a faixa que gravei junto com o Wada, a Sem Barreiras, metade em português, metade em japonês. Ficou curiosa.

A página do CD na Amazon é essa aqui.





Burro na sombra

7 01 2010

Fechada a revista, fico uns dias de papo pro ar. Ah, como é bom. Amanhã vou para o interior, dar uma esticada nas pernas, tentar terminar um livro contra o qual estou lutando faz uns meses e assistir uma porção de filmes. A parte dos filmes comecei hoje. Finalmente vou assitir o Star Trek do J.J. Abrams e o Almost the Truth, do Monty Python (o DVD tá 24,90, vale até comprar!).

E, claro, tem quinta temporada de Lost na Globo! Alguém acompanha? Viram que a emissora carioca fez uma cagada federal? No dia da estreia, exibiram um especial que era para resumir a quarta temporada e contextualizar as pessoas para a quinta. Mas, cabeçudos, eles fizeram um resumão da própria quinta temporada! Quem ainda não tinha visto, engoliu spoilers até engasgar. Inacreditável.

Pra quem quer acompanhar a série mas não está por dentro, linko aqui um vídeo-recap muito bom que explica tudo o que você precisa saber para assistir a última temporada – estreia dia 2 de fevereiro se o Obama não confirmar um pronunciamento na TV nesse mesmo dia. Lost é sensacional. É difícil aparecer coisa tão boa na TV, portanto, recomendo!





Feliz 2010

6 01 2010

Feliz ano novo… para as moscas, pq faz tempo que não mexo no blog. Mas estou vivo, trabalhando e louco da vida por não conseguir colocar minha vida on-line em dia. Aproveitei o ano novo para tentar de novo!

Ontem fechei a terceira edição da Mixmag – aquela revista de música eletrônica que estou fazendo. Chega ás bancas daqui uns 15 dias. Se trombarem com ela, dêem uma olhada. Tem a Daniela Mercury na capa, vejam só!

Que mais? Ah, esse ano o JAM completa dez anos de carreira. Vai rolar muita coisa legal. CD novo, etc. Lá pelo meio desse primeiro semestre as coisas devem começar a sair. A turnê de aniversário será grandona também.

Tudo em seu tempo.

Quero voltar com a ideia do podcast tbm. Não só pra falar sobre anime e animesong, mas sobre qualquer assunto que dê na telha. Cultura pop, a maioria. Quero chamar uns amigos para participar, alguém se candidata?

Antes que eu esqueça: DVDs da Focus. Jiraiya saiu com a imagem melhor que o primeiro mas ainda assim pior que a dos outros – muito escura. Pelo jeito, não vai ter recall do box um, o que é uma pena e desrespeito com quem comprou e não gostou. Os do Jaspion e Changeman ficaram jóia. Gostaram dos extras? Os designs feitos pelo Ryu Noguchi e Yutaka Izubuchi são raridades que não mereciam ficar escondidas. Quem cria monstros melhor que essa dupla? Principalmente o Izubuchi, o meu preferido. De National Kid eu acabei não participando. Comprei. Sei lá, só tem uma opção de áudio – a caixa promete duas – e os extras não estão com a dublagem antiga, portanto, não vou comentar muito…

Enfim, estamos na área outra vez. Esse ano promete ser bom. Vamos trabalhar pra isso!