Revolução pirata!

16 02 2009

Vocês viram que hoje vai rolar o julgamento do Pirate Bay, aquele site famosão de torrent? O fundador do negócio, Peter Sunde, defende visceralmente o direito ao download livre – e que se danem as empresas que detém os direitos autorais. O julgamento, coerentemente com a sua ideologia, vai ser transmitido em áudio pro mundo todo. Aproveito, então, essa data pra dizer o seguinte:

Abençoados sejam esses tempos em que pagamos cada vez menos (quando pagamos) por produção intelectual – músicas, filmes, livros, revistas, arte, etc… Dependemos cada vez menos das grandes corporações (e das suas idéias velhas) para termos acesso á cultura. Ainda não é o ideal, mas tá caminhando.

Qualquer coisa que pode ser digitalizada estará, cedo ou tarde, em algum canto da internet. A situação é bem preto no branco: ou as indústrias envolvidas acham uma saída ou, umas mais rápido que as outras, definham até a morte. Já é óbvio que não adianta reprimir quem baixa, tentando controlar o que é incontrolável. Os engravatados cinquentões já perderam essa briga faz tempo pra molecada. E a culpa é deles mesmos.

Música na faixa? CD por 1,99? Cinema por cincão? Pode ser. No caso do cinema o crescente número de filmes em 3D e a tecnologia iMax são tentativas de atrair mais gente pras salas. Legal! Só que ainda tá caro.

Mas não temos muito do que reclamar. Até temos, mas hoje tá bem melhor que ontem. Vivemos dias muito legais, principalmente em relação à música: se você tiver vontade, um PC e um microfone, já pode lançar seu trampo. Olha a Mallu Magalhães ai. Conheço muita, mas muita gente que só escuta artista independente. Não conhecia quase nenhuma quando tinha 18 anos.

É interessante: antigamente escutar uma banda que só você conhecia era o tesão dos descolados e dos críticos de música, mais, talvez, por masturbação intelectual do que por interesse real naquele grupo. Hoje, escutar som de gente que apareceu por caminhos extra-oficiais é bastante comum. Rola na escola, na faculdade. Um indica pro outro. “Baixa lá, é legal”. De grão em grão, gente como a Mallu Magalhães e a banda Vanguart viraram idolos de um novo tipo de adolescente, que goza de uma oferta e diversidade sonora sem igual na história da música. Tudo ao alcance de umas poucas clicadas.

Sem ninguém pra centralizar e vender caro o que você ouve e a internet servindo de mídia condutora, carne nova é o que não falta. Da mesma maneira, gêneros específicos, antes muito fechados em grupinhos de fãs hardcore, ganham mais simpatizantes.

É o caso dos anime songs e do J-pop. Nunca o ocidente ouviu tanta música japonesa. Mérito da internet. Fãs de anime, por exemplo, foram simpatizando com os temas e bandas que tocam nas séries, baixaram tudo o que tinha na internet e viraram fãs. Tudo virtual e na faixa. E é assim que é legal. Se cada um tivesse que pagar o preço de um CD importado do Japão e não fosse possível ripar esse CD pra mais pessoas ouvirem pela rede, talvez nunca tivéssemos um show do JAM Project ou do Miyavi por aqui. Nem de nenhum outro artista pop japonês (enka até pode ser…).

O que é melhor? Ganhar mais umas migalhas com direitos em cima de venda de CDs ou criar todo um mercado de gente nova ao redor do globo que conhece as músicas e lota os shows?

Como no Japão CD ainda vende razoavelmente bem, tem executivo que ainda acha um absurdo não pagar direito autoral, como achavam também no Brasil há uns anos. Lá, o processo de mudança é mais lento. O povo respeita mais. Se gosta de um artista, apóia comprando. Até baixa escondido, mas compra. Cada vez menos, talvez. Mas, aqui e em boa parte do Ocidente, ninguém liga pra isso e continuamos baixando, obrigando gravadoras a tomarem atitudes – nem sempre muito inteligentes.

Qual a solução? Quem sou eu pra saber… Mas tenho uns chutes: cada artista novo deve ser responsável por si mesmo. E nada de cobrar pelas músicas. Tudo “de grátis” ou muito barato. Se for cobrar, não pode dar trabalho pra baixar. Eu tenho que clicar, pagar e ouvir a música no mínimo de tempo. Caso contrário, a facilidade de abrir uma aba aqui do lado e pegar a mesma faixa no 4Shared ganha a briga.

Para isso, cadastrar seu “selo” no iTunes ou em sites que promovem a música indapendente, como o Trama Virtual, são algumas idéias.

Nichos específicos, como os do anime songs e J-pop, deveriam se concentrar em portais ágeis que vendem pro mundo todo. Eu preferiria mil vezes fazer meu cadastro num site desses e pagar pouco por cada música nova dos artistas japoneses que eu gosto do que ficar um tempão fuçando em fóruns e comunidades específicas atrás de alguém que ripou. Mas só funciona se NA PRÁTICA o processo for descomplicado. Se demorar demais, dar pau mais do que o aceitável, começar a rolar taxinha disso e taxinha daquilo… já era. Vai pro beleléu.

Se você, artista, não tiver saco pra armar todo esse esquema, pode gravar, colocar sua música pra download por ai, divulgar, fazer shows pequenos e ir crescendo. O mais legal é que, dessa forma, o público é o seu chefe. A grosso modo, se sua música for uma bosta, você tá fora. Se for legal, tá dentro. Isso, claro, se aplica também a blogs, portais, livros direto pra net, podcasts, fotologs, fanzines virtuais, animações e filmes pro Youtube… Na rede, a aceitação (qualidade?) é o termômetro. Ninguém te empurra nada goela a baixo.

Assim é que é legal. Gera muito material pra gente curtir. Descomplica a nossa vida, cria oportunidades e é bem mais justo com o nosso bolso.

——————-

Ah sim: isso tudo é o que eu penso. É só mais uma opinião. Trabalho com música junto a uma gravadora japonesa que lança CDs no Japão. Ainda é a moda antiga, porque lá ainda funciona, até que bem, assim. Mas, se algum dia as coisas apertarem e o esquema tiver que ser outro, adoraria ajudá-los a buscar alternativas legais!


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6 responses

16 02 2009
Rafael Roncato

Tudo vai mudar daqui pra frente. Já estava sendo previsto quando Radiohead lançou o último trabalho pra quem quisesse pagar, assim como o Nine Inch Nails. As pessoas estão cansadas de pagar caro para conhecer mais.
Eu não seria metade da pessoa que sou se tivesse que comprar tudo que conheço, eu certamente estaria sem grana alguma. Como colecionador defendo o lado concreto de tudo, mas como uma pessoa que vive nessas novas formas – e futuras novas formas – sinto que temos ter direito ao acesso cultural, seja como for.
Estamos, desde muito tempo, vivendo com base no dinheiro. O artista apenas tenta sobreviver e divulgar o que faz de melhor, enquanto o capitalismo trabalha da maneira que sempre soube. Entretanto terá que mudar, buscar sua nova fonte de renda.

18 02 2009
Lucas Rey

Concordo com tudo que disse Ricardo, e digo mais. No Brasil essa mudança é muito mais rapida que no Japão ou Europa porque é praticamente impossivel cobrar 20 reais por um CD, sendo que 75 milhões de brasileiros vivem com menos de 50 reais por mês, e tudo isso faz surgir o famoso “jeitinho brasileiro” de dar jeito a tudo ( o que muitas vezes é bom , e outras não ).

Sou totalmente a favor da destribuição gratuita de cultura (ahuuahuha, pirataria), por que assim, o artista, no caso, cantor, passa a ser melhor valorisado. Mas como? Simples, o show passa a ser muito mais apreciado e valorizado, o artista passa a ser mais reconhecido como pessoa … e se for bom, o show lota … e se o show for bem mais legais que aqueles bits e bytes da internet que baixei, o show vai lotar mais ainda, logo, os artistas terão duas opções que parecem boas, aumentar o preço dos ingressos e ganhar bastante dinheiro, ou diminuir o preço dos ingressos para lotar ainda mais e ganhar muito dinheiro … ou seja, de qualquer forma o artista é o que sai mais valorizado com isso, basta não tomar atitudes erradas com relação ao seu publico.

PS.: Se não me engano o artista no Brasil que mais ganha por CD vendido é o Roberto Carlos, ganha 1 real por CD. Tem cara que não ganha nem 5 centavos, logo, no Brasil o show é que passou a ser a fonte de renda desses caras, e não o CD. << vi isso a alguns anos atras em uma reviosta de musica que nao me lembro o nome.

Pergunto eu: qual a graça de ouvir um orquestra sinfonica no pc?
Agora, qual a graça de fazer isso ao vivo?
E agora, qual é o preço de um ingresso pra isso?
Bom, daí, dá pra perceber pq os musicos classico de uma orquestra sinfonica, como a de São Paulo tem o salario base de 7 mil por mês.

20 02 2009
sarah-chibi

Concordo com tudo tb, Eu não tenho vergonha de dizer que baixo as músicas, e por ser fã, até em esforço para comprar cds originais, que aliás, por serem importados, saem MUITO caros!!!!Cheguei a pagar por causa da alfandega, R$140,00 no R-new (cd solo do kitadani com dvd que vem com um clipe e o making of do cd)!!!!!Isso é muita grana!!!Eu juntei muito pra conseguir!!!!
Meu Enson vol.2 só consegui pq chorei muito como presente de Aniversário, os outros dois cds que comprei também foram meio que na choradeira, e graças a deus uns outros 4 foram presente do ex-namorado, pq haja grana!!!

Imagina se para cada música que saisse, tivesse que comprar o single?????
Primeiro que ninguém ia conhcer, segundo que não ia vender quase nada, e como não iria vender, os shows não lotariam!
Olha o Wada-sama de exemplo!!!!As músicas de digimon foram ou dubladas ou substituidas, como no caso de butterfly, mas graças a internet, todos puderam correr atrás e escutar o original, e quando ele veio ao Rio de Janeiro, o show lotou!!!!
Quer outro Exemplo?Endoh Masaaki!Os animes que ele cantou em geral, são BEM desconhecidos por aqui!Mas ele tem uma boa cota de fãs, que depois de um show junto com o Kagyeama-sama, procuraram na internet e acharam as músicas!Abarangers nem passou aqui e todos conhecem!!
Vai dizer que isso não dá dinheiro pra eles??????Se em cada show eles trouxessem do Japão uns cds deles pra vender num preço tipo o do JAM no AF, juro que eles faturavam bem!Pq o pessoal já conheceria o material!!!!

Apoio o download!

kissus=***
By sarah-chibi
JAM-Freak Master

21 02 2009
Aniki

Disse tudo e mais um pouco, Ricardo. Eu mesmo não teria um pusto acervo de músicas, séries e afins se não fosse a internet. Se tudo que tenho fosse comprado, importado, encomendado e blá blá blá eu já teria gasto alguns milhões de dólares(que eu nem tenho xD)

Mas as empresas estão sem saída mesmo, aliás de todas as que atuam no mercado audiovisual a mais hipócrita na minha opinião é a Sony, pois a mesma distribui séries e filmes e quer combate à pirataria dos mesmos, ao mesmo tempo que fabrica gravadores de DVD, programas pra ripar e editar música e vídeo…

27 02 2009
Wiliam

Viva a Hera do download! \o/

30 07 2009
Alexandre

Minha opinião é a seguinte: Download a preço acessível (uns 5 ou 6 reais pelo disco todo) sem a sombra das gravadoras ou então por 9 ou 10 reias com gravadoras como DIVULGADORAS do trabalho do artista. O artista é que tem que tirar maior proveito do fruto da sua música. E não a gravadora se achar no direito de pagar migalhas àqueles que forncecem o seu ganha pão. A “independência” maior para o artista que a internet proporciona é bom. Mas duvido que mesmo com praticidade a grande maioria queira pagar por algo que sai de graça e não oferece nenhuma diferença.

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