Três perguntas para Rogério de Campos

9 01 2009

Outro dia falei do Forasta, meu ex-chefe na Conrad e jornalista fodão. Agora falo do, então, sócio dele e também respeitado jornalista, Rogério de Campos.

A praia do Rogério são os quadrinhos. De qualquer espécie ou nacionalidade. Manja demais. Escrevia muito sobre o assunto por ai, inclusive, claro, em suas revistas (a General era uma delas). Ele editou, e continua editando, muita coisa pela Conrad. Alan Moore, Neil Gaiman, Suehiro Maruo, Joe Sacco, Crumb…

Na parte de livros, lançou Homens do Amanhã, biografia do Bob Dylan, Karl Marx (editou a primeira revista pôster do Marx do planeta! Não que eu goste do barbudo, mas é uma atitude arretada essa!), Hunter S. Thompson, Bruce Lee… Quadrinhos europeus, coisas bizarras de qualquer natureza, militância, putaria e humor são o seu forte.

Dá pra perceber qual é a do cara. Além disso, o Rogério escrevia na Folha, teve banda de rock, editou fanzines, etc.

Em 2001, ele apostou nos mangás e trouxe o Dragon Ball e os Cavaleiros pra cá. Com leitura invertida e tudo. Acharam a maior roubada, que ele ia se ferrar e tal. Mas esses dois títulos acabaram vendendo 200.000 exemplares por quinzena (!) e deram o ponta pé inicial na febre dos quadrinhos japoneses aqui – criando o segmento que vemos hoje nas bancas.

Fiz uma matéria justamente sobre a indústria (ui!) dos mangás pro G1 há mais ou menos um ano e pedi uns comentários pro Rogério. Olha o que ele disse:

Quais foram as dificuldades e motivações de lançar quadrinhos japoneses em preto e branco e com leitura invertida no Brasil?
– A motivação é bem óbvia: a indústria de quadrinhos japonesa é a maior do planeta, quase vinte vezes maior que a dos quadrinhos norte-americanos. Dragon Ball é o maior sucesso dos quadrinhos mundiais nos últimos cinquenta anos. Vendeu mais livros que Harry Potter. Em toda a Europa, mas também na Argentina, México, Chile e outros, bateu sozinho a venda de todos os gibis de super-heróis norte-americanos somados. E isso era ignorado no Brasil. Tanto que nossa maior dificuldade não foi com o público, mas com os integrantes da mercado dos quadrinhos no Brasil: dos distribuidores aos jornalistas (inclusive os especializados em quadrinhos), todos viram a chegada dos mangás como algo menor, sem grande importância. É claro que o sucesso estrondoso de Dragon Ball, Cavaleiros do Zodíaco, Evangelion e Vagabond mudou tudo isso. Hoje todo mundo sabe que os mangás são um dos segmentos com maior potencial de crescimento.

De 2001, quando houve o boom dos mangás, até hoje, como você analisa esse mercado? O que mudou?
Ainda que nenhum título tenha atingido as vendas de Dragon Ball, o mercado mangás como um todo continuou crescendo. Mas a chegada dos mangás, com sua amplidão de temas e gêneros, combinada com o boom no mercado de quadrinhos em geral está provocando uma revolução na maneira tradicional de pensar os quadrinhos (gibis como sinônimo de leitura infantil, ou infantilóide, edições baratinhas e toscas, distribuição exclusivamente em bancas etc) e isso tem reflexo em todo o mercado. Desde a maneira como os quadrinhos são editados até a maneira como são distribuídos ou mesmo analisados pela grande mídia. Isso tem significado, frequentemente, ter que dar um passo para trás para poder dar três passos para a frente.

A Conrad lança muitos mangás underground. Hoje já existe um espaço e público para eles ou ainda é uma aposta pessoal da editora?
O fato é que diversos autores que lançamos parecem underground simplesmente porque os brasileiros (e os ocidentais em geral) viveram muito tempo em uma situação na qual os quadrinhos eram leituras apenas para meninos. Tudo o que fosse diferente, que não tivesse patos, super-heróis ou a turminha de crianças, soava algo bizarro, “alternativo” ou “underground”. Hoje o mundo editorial mudou muito e os livros de quadrinhos são o segmento que mais cresce no mundo inteiro. E o que puxa esse crescimento não são os ditos quadrinhos comerciais do passado, com patos ou super-heróis, mas obras como Epiléptico, Fun Home, Persépolis, O Grito do Povo e os mangás. No caso destes últimos, a Conrad tem como objetivo apresentar ao leitor brasileiro o mais amplo retrato do que são os quadrinhos no Japão, apresentar as diversas tendências e os mais importantes autores. Lançar cópias e imitações não é o negócio da Conrad. Foi por estarmos sempre de olho no que iria acontecer, que descobrimos Pokemon, Cavaleiros do Zodíaco, Dragon Ball, Fun Home e Epiléptico antes de outros editores perceberem o que estava acontecendo.


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2 responses

11 01 2009
sarah-chibi

Uhul!!!/o/
Mt legal /o/, O cara apostou bem!!/o/
Valeu por postar isso!!!<o/

13 01 2009
Pamela

A pesar de que no entiendo demasiado, es muy interesante saber que hay gente que apuesta al manga y no lo toma como algo sólo para chicos. Y que además le vaya tan bien😀

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