Mudando de assunto…

22 11 2008

Eu sei que quase todo mundo que entra aqui está na pilha para o show do Kageyama e do Endoh (Já viram que a partir de segunda tem mais VIPs?). Mas quero dar uma mudada de assunto. Vou publicar aqui um texto histórico do meu ex-chefe na Conrad Editora, o André Forastieri, que recentemente inaugurou um blog.

Antes de mais nada, deixa eu falar quem é o cara: o André fundou a Conrad junto com o Rogério de Campos. Os dois, em 1994, lançaram a primeira Herói, lembra? Formatinho, R$ 1,99, Cavaleiros na capa quase todas as edições? Então, bem antes disso tudo, lá por meados dos anos 90, ele editou a revista BIZZ, “o único veículo sobre música da época que importava”, segundo o próprio. Escrevia também uma coluna pro caderno Folhateen. Coluna que acabou perdendo depois que sugeriu que para cultura do Brasil melhorar alguém tinha que dar um tiro na Regina Casé.

Eu entrei na Conrad moleque, tinha uns 17 anos, e essa história sempre me fascinou. Era quase uma lenda. Agora que o André tem blog, esse papo reapareceu e ele, muito generosamente, republicou a tal coluna. Vale a pena dar uma lida. Vou copiar tudo pra cá, mas não deixem de visitar o blog dele, está genial.

O caso Casé

A pergunta que mais respondi na vida foi sobre minha expulsão do Folhateen. Fui o primeiro editor do caderno. Saí, voltei anos depois como colunista. Escrevi um texto avacalhando com uma entrega de prêmios, citando celebridades várias, Regina Casé inclusa. O texto foi lido pela editora do caderno e pela secretaria de redação e aprovado para publicação.

Publicado na segunda, a casa caiu na terça. Levei pau dos Titãs, do Ombudsman, e do secretário de redação.

Perdi a coluna. Pouca gente sabe que Regina Casé me processou, e não processou a Folha. Menos ainda sabem que ela ganhou, e a Folha pagou todas as custas do processo e mais a indenização. A Folha não tinha obrigação legal de fazer isso, porque eu era colaborador, não funcionário. Foi uma decisão honrada do diretor de redação.

Nessa ganhei uns inimigos, mas também uma moral que rende até hoje. Já fui muito elogiado pela minha coragem em enfrentar o establishment, a máfia do dendê etc. Não sou tão valente assim, como pode perceber quem ler o texto. Mas elogio se aceita e se agradece.

Outra pergunta que respondi várias vezes: você escreveria de novo aquele texto? A resposta é não. Mas publicaria. Aí está.

Nada perdoa a chatice; a festa da MTV foi um grande fiasco

Outro dia, defendi com unhas e dentes a instituição da “Democracia MTV”, pela qual a audiência escolheria o presidente da República usando o esquema MTV. Depois de ver o primeiro MTV Video Music Awards Brasil (VMAs), retiro a proposta.

Tudo bem, a única escolha do público foi a final, os Paralamas do Sucesso, “Uma Brasileira” com Djavan. Uma daquelas músicas chatas que nascem clássicas e vão pentelhar por anos a fio.

O resto das escolhas foi feita por 101 “eleitos” (eu também), baseado em uma pré-lista de selecionados, escolhidos pelas gravadoras.

Chatice anormal

Tudo normal, tudo normal. Só não foi nem um pouco normal a chatice da transmissão. Eu ia, perdi o convite na última hora, fiquei meio chateado, mas depois de acompanhar a transmissão pela TV dei graças aos céus. Todo mundo que eu encontrei na sexta-feira passada concordou: o negócio foi chato para cacete.

Quem era aquela apresentadora drag queen? Por que o elenco inteiro da “TV Pirata” estava presente? Por que a MTV escolheu alguém daltônico para fazer o cenário e surdo para escolher a bandinha de coreto?

Patriotada pura

Vê bem, jóia e admirável premiar o pop brasileiro, ainda mais com uma certa ênfase para as bandas novas. Mas foi patriotada demais.

Aliás, lembrava muito o velho “Globo de Ouro”, ou mais precisamente o “Cometa Loucura”, onde Lauro Corona e Élida L’Astorino recebiam os luminares do rock carioca da época (Lobão, Barão, Kid Abelha, Marina, Absintho etc.).

Panelinhas

Aquela brodagem toda. Marisa, minha maravilhosa, Malu, absoluta, linda, Rita, perfeita, quem sou eu para apresentar Gil, G-I-L, com caixa alta. E Regina Casé.

Regina Casé pode ser simpática, engraçada, boa gente. E daí? Regina Casé representa as panelinhas mais nefastas da cultura brasileira. Esse país não tem jeito enquanto não derem um tiro na Regina Casé.

Premonição?

Pelo menos, não preciso gastar tempo e espaço precioso de jornal explicando por que é hediondo o clipe de “Segue o Seco”, eleito o melhor do ano pelos 101 “eleitos”. Já fiz isso semana passada… poderes premonitórios em ação.

Possivelmente eu esteja me deixando levar pelo meu saco cheio geral com relação à música e à televisão _MTV inclusa, especialmente depois que eles trocaram o Beavis pelo Cazé.

A saída está à vista. Vou comprar um videogame, para poder jogar “Killer Instinct”. E isso que eu nem joguei ainda, só vi as figuras e ouvi a musiquinha.

MTV Video Awards. Valeu, rapaziada, pelas boas intenções, das quais o inferno está cheio.

Como disse um desumano crítico musical sobre o disco final de Cazuza, melhor sorte no ano que vem.

(Folhateen, 1995)”


Ações

Information

4 responses

22 11 2008
Rafael

foda…hahah

22 11 2008
sarah-chibi

Huahsuahsuahsaushauhsuasua Ganhou Meu Total Respeito!!XD

23 11 2008
Lucas Rey

Tipo, a materia em si não tem nada demais, mas a parte do tiro foi foda, aí ja pegou pesado.

28 11 2008
Bruno Buga Fernandes

“especialmente depois que eles trocaram o Beavis pelo Cazé.”

tirar B&B e colocar o Cazé no lugar foi a pior cagada da MTV….depois q o Piores Clipes acabou, nunca mais assisti o canal

o cara ganhou meu total respeito…ele manja

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