Sangue em Akiba

11 06 2008

No Japão as vezes as pessoas piram de um jeito único, como esse cara que surtou, pegou o caminhão, entrou numa avenida fechada para só para pedestres, atropelou quatro pessoas, bateu num táxi, saiu do veículo e esfaqueou um tanto de gente. No total, ele feriu dezessete pessoas, das quais sete morreram, e foi preso anteontem em Akihabara – o bairro dos eletrônicos de Tóquio e foco da cultura otaku. Se trata de um rapaz de 25 anos atormentado, que só parou a matança porque um policial, com muito custo, apontou uma arma em sua direção – no Japão o porte de armas é proibido e até entre os policiais o uso delas é restrito. O homem foi levado e disse que “estava cansado da vida e tinha saído de casa pra matar pessoas”.

Fico pensando aqui se esse incidente pode prejudicar outra vez a imagem dos otakus no Japão. No final dos anos oitenta um jovem chamado Miyazawa matou uma garota por quem guardava um amor platônico (fotografava-a escondido, perseguia-a pela rua, etc…). Durante a investigação, a polícia descobriu que ele tinha coleções de gibis, videos e brinquedos de monstros e heróis. Desde então, a imagem dos fãs de anime e tokusatsu foi associada a algo bizarro, perigoso, que trocava passos com a delinquência, fazendo surgir um preconceito terrível. Não era nem um pouco legal ser chamado de otaku no Japão. Foi então que, há uns anos, o sucesso da novela Densha Otoko, que mostra a vida de um otaku típico e uma inesperada paixão dele por uma mulher “folha da bolha”, limpou a barra da tribo perante a sociedade. Tudo ia bem e agora essa… Tá na cara que esse tal de Tomohiro Kato, o meliante, é um otaku daqueles mais reclusos, tipo hikikomori – distúrbio comportamental que atinge cerca de 1% da população do país e faz a pessoa ter uma fobia social muito grande, chegando as vezes a passar vários anos trancada no próprio quarto. Por causa dele, agora, talvez todos os otakus do Japão paguem o pato.


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5 responses

11 06 2008
bruno

É sempre assim. Alguns fazem besteira e todo o resto acaba levando a ‘culpa’, ou pagando de alguma forma. Se já tinham uma visão meio preconceituosa sobre isso, com certeza ela vai se manifestar novamente, ainda que estivesse melhor ultimamente.

Ps: tem louco pra tudo, inclusive pra ficar entediado da vida e matar pessoas como passa-tempo

11 06 2008
ricacruz

Bizarro, né? Dá até pra fazer um ranking mórbido de crimes hediondos cometidos no Japão. Um dia eu faço, hehehe

11 06 2008
Michel Matsuda

Beleza, Ricardo? Meu primeiro comentário em seu novo blog.

Eu estava lá no dia, mas cheguei horas depois do ocorrido. Tava tudo interditado, só dava pra ficar nos arredores da estação. Fiquei enrolando numa loja, até liberarem as ruas. Quando eu cheguei (17h30), os bombeiros estavam lavando a rua. Nem passou pela minha cabeça que tinha sido um assassinato. Pensei que fosse um incêncio, por isso, acabei nem ligando e fui fazer as minhas compras. Apesar de eu ter estranhado o número de policiais e de repórteres. Ainda bem que eu estava no evento (Tokyo Toy Festival). Já imaginou se fosse eu que tivesse batido as botas? Acho que este trágico incidente não vai influenciar tanto o bairro como os otakus. Foi um acontecimento isolado. O criminoso escolheu Akihabara por ser uma “vitrine”. Assim, a notícia se espalharia rápido pela internet. Mas se não fosse Akihabara, poderia ter sido qualquer outro bairro, como Shibuya, Ikebukuro etc. Além disso, não foi comprovado que o cara era otaku. Pelo menos não vi uma reportagem vistoriando o apto dele. Mas que ele era hikikomori, isso não dá pra negar. Uma vizinha do tal Kato até pensou que ele tinha se mudado, já que raramente o via.

13 06 2008
ricacruz

Nossa Michel! C tava lá!! Já imaginou se ele vai pra cima de você!?

Tirou alguma foto do ocorrido?

13 06 2008
Michel Matsuda

Sim Ricardo, eu estive lá em Akihabara, mas felizmente eu cheguei bem tarde…HeHeHe! Tudo graças ao Toy Festival… Não tive intenção de tirar fotos, simplesmente porque eu nem sabia o que estava acontecendo. Mas quando eu cheguei, não tinha muito o que ver. Os bombeiros e a polícia já tinha limpado quase tudo. A príncipio, pensei que fosse um caso de incêndio ou então, um caminhão que tivesse derramado algum produto inflamável. Só depois que eu cheguei em casa, eu vi a reportagem.

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