Nosferatu do Murnau em quadrinhos

30 05 2008


O desenhista Ricardo Soathman disponibilizou para download gratuito em seu blog a sua versão em quadrinhos do filme Nosferatu, clássico do expressionismo alemão. Eu acho esse um dos melhores filmes de terror de todos os tempos. A HQ é fidelíssimamente baseada na obra original. Os caras do estúdio do Ricardo capturaram vários frames do filme e editaram a história em cima deles, tratando as imagens digitalmente. O resultado é fantástico. Preserva todo o charme do original.
No site dele, você pode baixar a história em partes ou comprar a versão impressa – o que eu acho que vale mais a pena nesse caso.





Celular fica mudo no primeiro dia do serviço nos túneis do metrô de SP

30 05 2008

O Metrô anunciou que a partir de desta sexta-feira (30) os celulares funcionariam normalmente, mas o sinal de telefonia móvel não deu sinal de vida nos túneis para os usuários que tentaram falar pelos seus aparelhos nos vagões da linha Verde, nas estações Paraíso, Chácara Klabin, Imigrantes e Alto do Ipiranga.

Segundo a assessoria do metrô, apenas nas estações foi possível fazer e receber ligações, ainda assim com certa dificuldade, já que muitas chamadas não se completaram, ou o sinal caía com freqüência.

As assessorias de imprensa das operadoras Claro, Tim e Vivo, responsáveis pelo serviço, afirmaram que o motivo das falhas ainda está sendo averiguado.





DBZ Burst Limit

28 05 2008

Acho que muita gente já viu, mas… Aí vai, novo jogo de DBZ e nova música do Kageyama. Aliás, o Kageyama canta também a versão em inglês dessa música para a versão americana do game. É a primeira vez que um artista do Japão canta algum tema para o mercado americano.





Ufa! Indiana Jones é legal!

28 05 2008

Fui ver Indaiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal. O filme é legal, gostei. O Spielberg sabe der o clima certo pra esse tipo de aventura. E, para mim, a diferença entre um filme bom e ruim desse gênero é justamente o clima, a atmosfera. O roteiro pode ser genial, mas e o desenrolar das coisas não tiver aquele peso certo, fica chato de assistir. E o novo Indy tem esse peso. É divertidão de assistir. Brinquei com os amigos que este será um dos futuros clássicos da Sessão da Tarde, que os nossos filhos vão assistir até enjoarem. Certeza.





“O pior lugar do mundo”

21 05 2008

Hoje cedo, alías, ontem cedo, precisei ir até um estúdio na Marginal, onde participei de um programa de TV para divulgar o livro Almanaque da Imigração Japonesa, da editora Escala, do qual sou um dos autores (vou falar dele em breve). Bom, fui lá. Tinha que chegar as 9h30 da manhã. Horário ingrato, mas não tinha jeito – é um programa para donas de casa, passa de manhã mesmo… Sai da Cardoso de Almeida, inocentemente, as 8h30 com a pretensão de chegar lá no horário. Cheguei as 10h, puto da vida.

Xinguei o Lula, o Kassab, o diabo! Essa cidade não anda mais. Tudo parado. Tudo! Fiquei mais de meia hora pra descer a Cardeal Arco Verde. Um pé no saco. Aí pensei: trânsito caótico nessas proporções denunciam o subdesenvolvimento do país. Duvido que a situação seja tão deprimente assim em Nova Iorque, em Paris… No Japão não é. Existe congestinonamento, claro, mas não é nada parecido com o absurdo que é aqui. Lá, o transporte público é tão amplo e funciona tão bem que a cidade desafoga. O Brasil tem muito o que aprender ainda… Tem muito metrô pra construir. Dá-lhe “tatuzão” (o tatuzão é a escavadeira gigantesca usada pra cavar os túneis do metrô)!

Tenho a impressão que só a Cidade do México tem um trânsito pior que o de São Paulo. Até a Argentina flui melhor que a gente…

Bom, enfim. Tá aí o protesto.





Ah… Merda…

19 05 2008


Usuários com aparelhos desbloqueados podem utilizar o iSlsk para baixar músicas pelo Soulseek, em velocidades satisfatórias.

Finalmente, o iPhone e o iPod touch têm uma ferramenta de compartilhamento de arquivos, de acordo com a revista Wired. Os usuários desses aparelhos podem utilizar o iSlsk para baixar músicas com o Soulseek, em velocidades satisfatórias.

Depois de fazer o download das canções (cada uma demora em média três minutos), o programa as importa para a biblioteca de músicas do iPhone, para facilitar a reprodução.





Arnaldo Jabor sobre o MSN

19 05 2008

Sempre odiei o que a maioria das pessoas fazem com os seus MSN’s.
Não estou falando desta vez dos emoticons insuportáveis que transformaram a leitura em um jogo de decodificação, mas as declarações de amor, saudades, empolgação traduzidas através do nick.

O espaço ‘nome’ foi criado pela Microsoft para que você digite O NOME que lhe foi dado no batismo. Assim seus amigos aparecem de forma ordenada e você não tem que ficar clicando em cima dos mesmos pra descobrir que ‘Vendo Abadá do Chiclete e Ivete’ é na verdade Tiago Carvalho, ou ‘Ainda te amo Pedro Henrique’ é o MSN de Marcela Cordeiro. Mas a melhor parte da brincadeira é que normalmente o nick diz muito sobre o estado de espírito e perfil da pessoa. Portanto, toda vez que você encontrar um nick desses por aí, pare para analisar que você já saberá tudo sobre a pessoa…

‘A-M-I-G-A-S o fim de semana foi perfeito!!!’ acabou de entrar. Essa com certeza, assim como as amigas piriguetes (perigosas), terminou o namoro e está encalhadona. Uma semana antes estava com o nick ‘O fim de semana promete’. Quer mostrar pro ex e pros peguetes (perigosos) que tem vida própria, mas a única coisa que fez no fim de semana foi encher o rabo de Balalaika, Baikal e Velho Barreiro e beijar umas bocas repetidas.
O pior é que você conhece o casal e está no meio desse ‘tiroteio’, já que o ex dela é também conhecido seu, entra com o nick ‘Hoje tem mais balada!’, tentando impressionar seus amigos e amigas e as novas presas de sua mira, de que sua vida está mais do que movimentada, além de tentar fazer raiva na ex.

‘Quando Deus te desenhou ele tava namorando’ acabou de entrar. Essa pessoa provavelmente não tem nenhuma criatividade, gosto musical e interesse por cultura. Só ouve o que está na moda e mais tocada nas paradas de sucesso. Normalmente coloca trechos como ‘Diga que valeuuu’ ou ‘O Asa Arreia’ na época do carnaval.

Por que a vida faz isso comigo?’ acabou de entrar. Quando essa pessoa entrar bloqueie imediatamente.. Está depressiva porque tomou um pé na bund.a e irá te chamar pra ficar falando sobre o ex.

‘ Maria Paula ocupada prá c** ‘ acabou de entrar. Se está ocupada prá c**, por que entrou cara-pálida? Sempre que vir uma pessoa dessas entrar, puxe papo só pra resenhar; ela não vai resistir à janelinha azul piscando na telinha e vai mandar o trabalho pro espaço. Com certeza.

‘Paulão, quero você acima de tudo’ acabou de entrar. Se ama compre um apartamento e vá morar com ele. Uma dica: Mulher adora disputar com as amigas. Quanto mais você mostrar que o tal do Paulão é tudo de bom, maiores são as chances de você ter o olho furado pelas sua amigas piriguetes (perigosas).

‘Marizinha no banho’ acabou de entrar.. Essa não consegue mais desgrudar do MSN. Até quando vai beber água troca seu nick para ‘Marizinha bebendo água’. Ganhou do pai um laptop pra usar enquanto estiver no banheiro, mas nunca tem coragem de colocar o nick ‘Marizinha matriculando o moleque na natação’.

‘ < . ººº< . ºººªªª . >ªªª >’ acabou de entrar. Essa aí acha que seu nome é o Código da Vinci pronto a ser decodificado. Cuidado ao conversar: ela pode dizer ‘q vc eh mtu déixxx, q gosta di vc mtuXXX, ti mandá um bjuXX’.

‘Galinha que persegue pato morre afogada’ acabou de entrar. Essa ai tomou um zig e está doida pra dar uma coça na piriguete que tá dando em cima do seu ex. Quando está de bem com a vida, costuma usar outros nicks-provérbios de Dalai Lama, Lair de Souza e cia.

‘VENDO ingressos para a Chopada, Camarote Vivo Festival de Verão, ABADÁ DO EVA, Bonfim Light, bate-volta da vaquejada de Serrinha e LP’ acabou de entrar. Essa pessoa está desesperada pra ganhar um dinheiro extra e acha que a janelinha de 200 x 115 pixels que sobe no meu computador é espaço publicitário.

‘Me pegue pelos cabelos, sinta meu cheiro, me jogue pelo ar, me leve pro seu banheiro…’ acabou de entrar. Sempre usa um provérbio, trecho de música ou nick sedutores. Adora usar trechos de funk ou pagode com duplo sentido. Está há 6 meses sem dar um tapa na macaca e está doida prá arrumar alguém pra fazer o servicinho.

‘Danny Bananinha’ acabou de entrar. Quer de qualquer jeito emplacar um apelido para si própria, mas todos insistem em lhe chamar de Melecão, sua alcunha de escola. Adora se comparar a celebridades gostosas, botar fotos tiradas por si mesma no espelho com os peitos saindo da blusa rosa. Quer ser famosa. Mas não chegará nem a figurante do Linha Direta.

Arnaldo Jabor





HQs on-line

16 05 2008

Muito bacana esse site aqui. São centenas de quadrinhos para a leitura imediata, on-line e de graça. Você escolhe o que quer ler por gênero, estilo, tema… Os tipos de arte são bem variado, vão do mangá ao noir. Tem algumas animações em flash também. Bom, entra lá e fuça. Paguei um pau.





Saiu o site oficial do ENSON

15 05 2008

CD novo do Masaaki Endo ganhou site oficial. Entra aqui, ó. Lá, dá pra ouvir uma prévia de algumas músicas. Pelo jeito, está ficando muito bom. Os arranjos estão um pouco diferentes dos originais. Confesso que não gostei muito do da “Ai wo Torimodose”, prefiro muito mais o original. Mas sou supeito pra falar, essa é umas das minha músicas preferidas. Ele gravou também a Go Go Power Rangers – também está no site -, a Butterfly, do Digimon e até o tema do Mononoke Hime, que uma ópera. Muito legal esse projeto!





UGH!

15 05 2008

Roubei do Ovelha





O drama do iPhone – prólogo

15 05 2008

Fiz merda. Comprei um iPhone da primeira leva. Não aguentei esperar. Me lasquei. Desde o final do ano passado, o danado vinha perdendo a sensibilidade do touch screen. Foram aparecendo regiões mortas dentro da superfície da tela. Em janeiro, por exemplo, não conseguia mais acessar a calculadora. Como uma doença, o defeito se alastrou e anteontem finalmente inutilizou a parte necessária da tela para se atender as ligações. Procurei a assistiencia autorizada Apple, mas eles nem te dão bola, já que o aparelho não saiu aqui ainda. O cara com quem eu comprei o telefone também não resolveu nada, mandou eu “me virar”. Como diria o Guerrero, “fodeu pra sempre!”.

Putaço, fui até uma loja da TIM comprar um aparelho novo, daquelas promoções em que você leva o celular de graça se comprar uma linha pós-paga. Fiz isso. Lá, o atendente curioso xeretou sobre o por quê de eu não querer mais usar um iPhone… Expliquei a história e, nossa!, o cara sabia onde eu poderia consertar a criança. Me indicou uma tal de Mirella e me deu um endereço. “Mas vou logo avisando, ela é gorda e mal humorada”. Beleza.

Fui até a Mirella hoje. Ela nem era tão gorda assim. E nem tão mal humorada. Mostrei o iPhone, falei de suas mazelas e pedi um orçamento. O cara da loja da TIM falou que o conserto sairia em torno de cem, cento e cinquênta. Eu, tolinho, acreditei. Mirella analisou, analisou, subiu uma escada, falou com nãoseiquem, desceu e disse que uma nova tela sensível a toque me custaria oitoscentos conto! Oitoscentos pau!! Oitoscentos malandros!!! Misericórdia… “OK, Mirella… Carinho, heim. Me dá o seu cartão que eu te ligo…”.

Agora estou aqui, com um Sansung pré-histórico que nem toque polifônico tem. MP3? O que é isso? Bluetooth? Ahaaam…

Aceito dicas de como solucionar isso sem falir.

つづく





… enquanto isso, os estudantes de jornalismo dizem…

15 05 2008

CRUZ の発言: (00:16:02)
quero postar alguma coisa no meu blog, o q vc sugere?
CRUZ の発言: (00:16:07)
vai lá, visita ele?
Marcia J の発言: (00:16:30)
huuuuuuuummmmmmmmmmmm..
Marcia J の発言: (00:16:33)
pq vc nao fala…….
Marcia J の発言: (00:16:43)
sobre o caso isabela? huahuahuahahuaua





Semana corrida…

13 05 2008

Essa semana está uma correria só. Mas, tirando toda a trabalheira da frente, fui hoje jantar com a minha prima Márcia pra comemorar o aniversário dela. Dezenove aninhos! Foi bom pra respirar um pouco… Amanhã – bom, hoje, já são três da manhã – tenho uma montanha de coisas pra fazer.

Essa semana pretendo compor algo. Quanto mais ouço coisas mais tenho vontade de compor. Já coloquei na cabeça que até sexta tenho que ter uma melodia pronta. Veremos… Quem sabe a exaustão do trabalho diário não liga o lé com cré certo dentro do meu cérebro e me faz criar algo genial? Veremos… Veremos…





A volta da Animation Invaders

7 05 2008

Mês passado e este estou trabalhando na volta da revista Animation Invaders, como editor-assistente. Cheguei lá pra escrever uma ou outra coisa, mas acabei me envolvendo com o projeto todo. Como a editora Europa já queria mesmo dar uma reformulada no conteúdo da revista, acabei sentando com o Humberto Martinez, editor das revistas de game da casa, para discutir o assunto. Muitas seções antigas vão cair, dando lugar a novas ou só liberando mais espaço para matérias. As matérias, aliás, seguirão por um caminho diferente. Vamos priorizar bastidores, temas relevantes (“quentes”) e “análises profundas” (u-hu!) das coisas. Afinal, ninguém precisa pagar por uma revista pra saber que o Naruto é um ninja que guarda dentro dele o demônio das nove caudas e blá-blá-blá… Não num veículo especializado, que, em teoria, quer atingir um pessoal já mais ou menos antenado nesses assuntos. Aliás, Naruto já deu no saco em capa de revista (vai saber se ele ainda será capa da Animation Invaders daqui pra frente… Bom, se for relevante, sim).

O Awika, um site que sobre tokusatsu que eu fazia há muitos e muitos anos, vai virar uma seção fixa dentro da revista. Será um espaço pra falar qualquer coisa sobre tokusatsu; de novidades a monstros bizarros – como era no site. Acho que muita gente vai gostar.

Tenho certeza que estamos preparando um conteúdo que não se acha na internet. Autoral mesmo. Acho que esse é o grande diferencial que uma revista deve ter hoje. Ninguém quer pagar por mais do mesmo. Informação pura e escrita de qualquer jeito eu tenho de graça na net a hora que eu quiser. Fotos também. Saber brincar com essa informação é que é o lançe. Criar em cima dela. Opinar. Entrevistar. Cobrir. Destrinchar. Revelar.

A equipe está ficando muito boa. Tem, além do Humberto Martinez, o Renato Siqueira, o Marcel R Goto, o Marcelo Cassaro, a Flávia Gasi… Só feras. Fora as ilustrações do Makoto Ono, que são um caso a parte. Com o tempo, a idéia é transformar a revista numa referência desse universo pra gente grande. Vamos tentar.

O resultado desse trampo todo você confere nas bancas daqui a mais um tempo. Acredito que no começo ou meio de junho.





iPhone no Brasil

7 05 2008

A América Móvil, empresa mexicana que controla a Claro, informou nesta quarta-feira (7) que fechou um acordo com a Apple para trazer o iPhone para suas operações na América Latina, incluindo o Brasil. O aparelho deve chegar à região ainda este ano.

O iPhone é uma espécie de coqueluche do mundo tecnológico desde o ano passado, quando foi lançado pela empresa de Steve Jobs. A Apple confirma o acordo, porém não há informações sobre preço ou prazo de lançamento. América Móvil tem 59,2 milhões de assinantes de celular e 3,9 milhões de linhas fixas no continente americano.





No interior…

4 05 2008

Estou em Indaiatuba, visitando os meus pais. É bom ficar isolado um tempo em um lugar calmo, longe do barulho da cidade grande. Mas a mamata acaba hoje a noite. Essa semana será punk. Muita coisa pra fazer e pouco tempo pra respirar. Cerveja e conversa fiada só de quinta pra frente… É a vida…

Bom, mas dane-se esse papo chato. Olha só quanta coisa legal está para sair no cinema:

Fim dos Tempos – o novo do M. Night Shyamalan

Homem de Ferro – todo mundo já viu, mas…

Speed Racer – esse vou ver nessa terça

Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull

Batman – O Cavaleiro das Trevas

Wall E

The Spirit





Em 2005 no Japão…

2 05 2008

Organizando minha conta de e-mail, achei vários textos antigos sobre diversos assuntos que escrevi pra um monte de lugares. Resolvi que vou, aos poucos, republicar alguns aqui. Pra começar, vai um que escrevi em 2005 pra revista Made in Japan contanto resumidamente como foi a experiência de gravar no Japão.

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J-Pop com tempero brasileiro
Depois de trinta horas voando (quer dizer, 23, porque sete eu fiquei sentado no maldito Free Shop do aeroporto de Londres esperando o vôo de conexão), lá estava eu, em Narita, Tóquio. A última vez que estive ali foi em 1999 quando fiz intercâmbio para o Japão. Mas, da outra vez, fiquei morando em Tochigi, província a uns cem quilômetros da capital. Outra diferença, é que, desta vez, ao chegar no portão de desembarque os cantores Hironobu Kageyama e Masaaki Endo estavam me esperando, como tínhamos combinado por telefone. Queria dar risada, pois, quando estive no Japão pela primeira vez, escapei duas vezes da minha cidade para ir ver o show dos dois em Tóquio e, agora, cinco anos depois, lá estavam eles, carregando as minhas malas! Inimaginável.

Mas ainda não contei porque voltei ao Japão: no segundo semestre de 2004, estava rolando um concurso para novo membro do grupo vocal Jam Project. O Jam é um sexteto fundado em 2000, que reúne só cantores conhecidos do gênero dos “anisongs”, os temas de anime, seriados live-action, games e mangás. Graças ao contato que tive com o Kageyama, líder do grupo, durante a suas duas visitas ao Brasil, quando participou do evento Anime Friends 2005, acabei desenvolvendo uma amizade muito legal com o meu ídolo de infância (sim, porque ele canta as aberturas originais de Changeman, Dragon Ball Z e Cavaleiros do Zodíaco. Só clássicos!). Ele ficou sabendo que eu também me apresentava cantando em japonês e me viu cantar no ensaio uma música da Masami Okui, que estava gripada e não pode passar o som naquele dia. Tanto ele quanto o Endo gostaram da minha voz e me pediram uma demo feita em estúdio. Mandei o tema de Abaranger, que já tinha gravado faz tempo. Sem eu saber, o Kageyama me incluiu no tal concurso de novo membro do JAM, que, no final, acabei ganhando.

A viagem para lá foi uma conseqüência. No início, iria partir em janeiro, mudei para fevereiro e, depois, a data pulou para março. Sempre que a época se aproximava surgia algum empecilho que me fazia adiar a ida. Acabei embarcando só em 22 de abril. Cheguei lá no dia 24 – sim, você perde dois dias por causa do fuso. De Narita fomos para Tóquio, deixar as minhas malas na casa do Kageyama, que gentilmente se ofereceu para me hospedar (o que preservou meus ienes, porque bancar quinze dias de hotel em Tóquio não seria fácil). Como estava sem sono, fomos dar uma passeada por Shibuya, enquanto colocávamos o papo em dia.

Minha programação era a seguinte: ensaiar no recém construído home-studio do Kageyama as duas músicas do JAM com a minha participação: Neppu! Shippu! Psybuster, tema incidental do OVA (anime lançado direto para vídeo) Super Robot Generations the Animation (o single saiu dia 22 de junho) e Gong, trilha principal do jogo Super Robot Wars Alpha 3 (previsto para agosto). A Psybuster eu já conhecia, pois é uma regravação, mas a Gong não. Logo, foi em cima dela que ficamos ensaiando a maior parte do tempo. Os sanduíches harmônicos, as dobras de vozes e os emaranhados vocais, características marcantes do Jam, exigem um trabalho de pré-produção acima da média. Leva um tempo até você entender tudo aquilo e se acostumar com as intermináveis camadas de sons e vozes soando ao mesmo tempo. O ensaio serve justamente para fixar a parte pela qual você é responsável nessa complexa maçaroca sonora. As músicas geralmente não são lineares.

A gravação oficial ficou marcada para o dia 26, nos estúdios da Lantis, gravadora. Apesar da composição da Gong ser do Kageyama, as harmonias vocais foram criadas por Yohgo Konno, veterano na área (ex-tecladista da banda Make-Up, que gravou Pegasus Fantasy, dos Cavaleiros do Zodíaco). Ele é daqueles japoneses pop underground, com cabelo pintado de cinza, penduricalhos góticos espalhados pelo corpo e um linguajar mais chulo do que o normal (agravado pelo forte sotaque de Osaka). Mas o Konno-san é gente fina pacas e me ensinou muito sobre como funciona a indústria fonográfica nipônica. Contou várias histórias da época da Make-Up e me dirigiu nas duas músicas novas do Jam.

Quando ajustei os fones de ouvido, foi difícil controlar o nervosismo. Era a minha primeira experiência profissional. E, com todo o Jam Project, mais os técnicos, curiosos, e o próprio dono da gravadora, o sr. Shunji Inoue, olhando para a minha cara (parecia circo: “vejam o brasileiro bizarro que canta em japonês!”), quando a luz do REC acendeu pela primeira vez, realmente, não consegui me concentrar. Troquei palavras, gaguejei, tossi, dei risada… Mas fui me acostumando. Todos ali são muito humildes, não carregam pra lá e pra cá o status de estrela que os fãs e a mídia constroem ao redor deles. Por isso, me senti o tempo todo cercado de amigos que fazem coisas legais e não de super astros da música. Isso foi muito importante. Depois de umas cinco horas dentro do estúdio, gravamos todas as vozes das músicas. O trabalho estava terminado. Para a tarde seguinte, estava programada uma coletiva de imprensa em que eles iriam anunciar a minha participação e a do guitarrista Nuno Bittencourt (ex-Extreme – ele tocou, como convidado, na Gong e em uma outra, chamada Meikyu no Prisioner), mas ela acabou sendo adiada para um dia depois da minha volta para o Brasil.

Aproveitei o resto do tempo conhecendo melhor Tóquio. Andei a maior parte do tempo com o Endo, porque Kageyama estava com a agenda bastante cheia. Fomos até Akihabara, Ginza, Shinjuku… Bati fotos com os tipos urbanos bizarros, que se concentram principalmente numa rua fashion de Harajuku chamada Takeshima-dori, fui até uma casa de Pachinko tentar a sorte, comi lamen naquelas barraquinhas de rua (pedi um apimentado tipo “anormal” e quase vomitei na cara o ojisan que preparava o prato), por pouco não tingi meu cabelo de branco, comprei uns livros de tokusatsu na Mandarake, etc. A noite, nós (eu, Endo, Kageyama, Masami Okui – que também é do Jam – e o guitarrista que toca com ela, o Morita) sempre nos reuníamos num barzinho chamado Barcarolla para tomar um saquê, comer uns queijos e jogar conversa fora. A noite de Tóquio é tão diversificada quanto a paulista, com o plus de, lá, a violência ser quase nula.

Nos últimos quatro dias da minha estadia, mudei para a casa do Endo. O Kageyama foi para kyushu fazer uma série de shows acústicos. Nos despedimos na estação de trem – parecia uma daquelas cenas piegas de animes, com direito a olhos enormes cheios de lágrimas e frases como “lutarei pelos meus sonhos até nos encontrarmos de novo!”. Enfim. Nessa última fase da viagem encontrei o Michel, meu amigo de infância que hoje mora no Japão, fui até o ensaio do show do Masaaki Endo, em que até cantei umas músicas e me debati contra as malas para enfiar nelas tudo o que tinha comprado e ganhando em meio mês de Japão.

Toda a experiência valeu muito a pena. Não só em relação às gravações, mas todo o convívio com eles. O jeito de pensar, de agir diante de problemas, de encarar situações, de administrar o dia a dia, etc. Tudo foi um aprendizado e a realização de um sonho. Espero ainda voltar muitas vezes ao Japão, seja a trabalho ou só para passear. Acho que me daria muito bem morando lá também, pois, por quinze dias, tenho a consciência de que, apesar da cara (sou Schiesari Barreto Cruz!), virei um japonês legítimo.





Inacreditável!!!

1 05 2008

Brucelose – Sweet child mine